Depois de sofrer com restrições ao crédito em decorrência da crise mundial, essas empresas têm desempenho recorde no mercado.
Responsáveis por 20% do PIB nacional e 67% dos postos de trabalho, as micro e pequenas empresas representam 98% do total de companhias no Brasil, segundo dados do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae- SP). O levantamento mostra que, em maio deste ano, as MPEs do Estado tiveram faturamento 13,4% superior ao mesmo período de 2009, apresentando o melhor desempenho em doze anos.
Entretanto, no ano passado, elas foram as que mais sofreram para conseguir crédito
bancário. Em consequência da crise financeira global, os bancos esgotaram os recursos
para os pequenos empreendedores. Os pacotes anticrise do Governo vieram para aliviar as incertezas e promoveram uma recuperação rápida, favorecendo a geração de caixa e a diminuição da inadimplência, que havia atingido picos negativos em janeiro, como reflexo da crise.
Desde março de 2009, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
liberou R$ 1 milhão em financiamentos, criou um fundo para garantir as operações de
crédito e ampliou os limites de utilização do Cartão BNDES, tudo para facilitar o acesso ao
crédito das micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). De janeiro a julho deste ano, a
instituição liberou R$ 20,8 bilhões - R$ 12 bilhões a mais do que no mesmo período do
ano passado. O número de operações também subiu: de 107.430 para 239.678.
Em comparação com o ano anterior, entretanto, os valores por número de operações
realizadas até maio foram menores. Segundo o gerente de Indicadores de Mercado
da Serasa Experian, Luiz Rabi, as empresas precisaram tomar crédito mais vezes e em
quantias menores. "Era arriscado investir muito alto em um ambiente ainda instável",
explica. Porém, de acordo com o Indicador de Pontualidade de Pagamentos das Micro
e Pequenas Empresas da Serasa Experian, o valor médio dos pagamentos está aumentando, o que mostra a recuperação do setor e a volta de investimentos mais altos.
Nem mesmo o aumento de 0,5 pontos percentuais da taxa Selic - elevada para 10,75%
ao ano em julho - parece desaquecer o setor de crédito voltado às MPMEs, como reforça
o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e
Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira. "Do ponto de vista desse segmento, não
deve haver dificuldade das empresas, pois o país continua crescendo, há geração de emprego e os bancos continuarão emprestando", diz Oliveira. Para Rabi, a nova taxa Selic
se mostra necessária para a estabilidade no longo prazo: "O aumento vem apenas para
desacelerar o crescimento, fazendo com que ele seja sustentável."
No segundo semestre, o desempenho do setor deve ser ainda melhor, pois o consumo
é mais aquecido em função de festas de fim de ano, férias e 13º salário. Apesar disso, Oliveira não acredita em uma nova elevação da Selic: "Já houve uma desaceleração
saudável, e a inflação está voltando à normalidade", diz.
Uma pesquisa do Sebrae-SP, realizada em julho de 2009, mostrou que 47% dos micro
e pequenos empresários entrevistados tomariam empréstimo bancário de, em média,
R$ 30 mil, caso as condições de financiamento fossem facilitadas, especialmente com a redução dos juros e a diminuição da burocracia.
"Dados mostram que, ao longo dos anos, as instituições estão buscando facilitar o crédito
para as MPMEs", afirma o consultor do Sebrae- SP Pedro João Gonçalves. Segundo ele,
o principal motivo de interesse em tomar crédito, o pagamento de fornecedores, reflete
a necessidade de capital de giro dessas empresas, que pode estar aliada ao desequilíbrio
entre os pagamentos e as vendas - enquanto 58% dos gastos são à vista, 50% das vendas são realizadas nessa condição, causando um déficit de 8% nas contas mensais.
Para o Santander, as Pequenas e Médias Empresas têm necessidade de crédito de curto
prazo, e é preciso oferecer soluções que atendam a esse público sem comprometer
seu capital de giro. O superintendente executivo de Pequenas e Médias Empresas do
banco, Mário Fanucchi Junior, reitera a importância de conceder o financiamento adequado.
"Queremos estimular a adimplência do cliente com o crédito certo, buscando entender
as necessidades de cada mercado e, mais especificamente, às reais necessidades
das empresas, oferecendo sempre uma solução específica para cada negócio", afirma.
O Índice de Demanda das Empresas por Crédito da Serasa Experian mostra que as MPEs
aumentaram em 10,5% a procura por crédito no primeiro semestre deste ano em relação
ao mesmo período de 2009. Já as médias empresas, que recuaram 8%, ainda sentem os
reflexos da crise porque muitas são exportadoras, e houve uma diminuição considerável
na demanda dos mercados norte-americanos e europeus. Boa parte delas, no entanto, já
está voltando suas atividades ao mercado interno, que continua aquecido.
Consultas sobre serviços info@cmspeople.com
® CMS | Credit Management Solutions S.A. | Todos os direitos reservados