Com experiência na gestão de riscos em países de diferentes culturas, Victor Loyola, Vice-Presidente de Gerenciamento de Risco do Citi Brasil, afirma que o segmento nacional de crédito está avançando no sentido de conquistar fronteiras e desbravar novas oportunidades não só para o investidor estrangeiro, mas também para o grande público que está ascendendo socialmente, como o das classes C e D.
Por Gabriela Arruda
Credit Performance - Qual o impacto de uma possível adoção do cadastro positivo para o mercado de crédito?
Victor Loyola - O uso do cadastro positivo é benéfico para toda a sociedade e uma das consequências desta ferramenta é que os juros são reduzidos. Sabe-se quem são os bons e maus clientes, quem tem o perfil mais arriscado, com isso a taxa de juros cai. Este é o efeito benéfico, diferenciar os pagadores. Países como Estados Unidos, Argentina, Panamá, México e Inglaterra fazem uso do cadastro positivo.
CP - Você tem uma experiência nacional na gestão de riscos. Pode apontar algumas peculiaridades regionais no desempenho dos clientes? Como você avalia essas diferenças de perfis?
VL - As diferenças se dão em função das variações nos perfis de renda e sócio-educacional e não em função da região. Em meio a diferentes segmentos, são as características socioeconômicas que ditam o comportamento predominante.
CP - A visão ufanista, que é global, das oportunidades de negócios e de desenvolvimento do Brasil lhe parece sustentável a médio e longo prazo? Por quê?
VL - Esta é uma visão realista, não ufanista. O Brasil é a “bola da vez”. Comparado aos outros BRICs, não temos a interferência estatal da China, a complexidade social da India e a regulatória da Rússia. Somos um país com instituições sólidas e geralmente abertos em relação ao investimento estrangeiro.
CP - Como você descreveria o atual mercado de crédito e cobrança? Quais os desafios e oportunidades?
VL - O mercado de crédito e cobrança está em desenvolvimento. O crédito representa 46% do PIB, sendo que, deste total, 15% correspondem ao crédito de consumo. Nos últimos anos houve um grande crescimento e ainda há espaço para mais avanço. O setor continuará a crescer, embora não no mesmo ritmo. Alguns produtos ainda são incipientes, como o crédito imobiliário e o financiamento para estudantes. Por outro lado, produtos como cartão de crédito, empréstimo pessoal e financiamento de automóvel já estão amplamente disseminados entre a população. A tendência de crescimento continuará. O percentual de crédito na economia, daqui a quatro anos, não será mais 46, mas algo em torno de 60 ou mais.
CP - A inadimplência no Brasil ainda tem índice elevado comparativamente ao de outros países. Como o Citi avalia a situação e quais, na sua opinião, as medidas que podem contribuir com a queda desse índice?
VL - O controle da inadimplência tem início na política de aquisição mais ou menos flexível. Cada instituição define o seu apetite de risco na entrada. Com a aquisição do crédito em ordem, é necessário ter uma área de cobrança efetiva, para minimizar a inadimplência. No crédito ao consumo não existe inadimplência zero. Cada instituição opera dentro de níveis que considera sustentáveis, de acordo com o seu apetite de risco. Um banco pode operar com inadimplência 10, outro com 20, e ambos estarem satisfeitos com a sua performance. Quanto à comparação com outros países, operamos em um ambiente de maior taxa de juros e isso também influencia o aumento da inadimplência. De uma forma geral, a redução nos índices de inadimplência tem a ver com políticas mais restritas na aquisição (menos crédito), uma área de cobrança mais efetiva e consumidores com um comportamento de crédito mais consciente, evitando o super endividamento. Como o Brasil experimenta de uns anos para cá um “boom” de crédito, muita gente tem acesso p
ela primeira vez, o que também pressiona naturalmente a inadimplência. Mas como eu falei, desde que controlável, ela é parte do negócio de crédito ao consumo.
CP - Quais as metas do Citi nesse mercado de crédito e cobrança? Qual será a estratégia de implementação de ações para atingir essas metas?
VL - O Citi é um banco no varejo que trabalha no segmento de alta renda por meio de sua rede de agências e atinge o todo da população via Credicard (Cartões e Financeira). No universo do varejo esperamos um crescimento maior que 20% em 2011, mantendo o ritmo do ano passado.
CP - Na sua opinião, quais os setores que serão privilegiados pelo aporte de crédito e por quê?
VL - O aumento na renda média beneficiou todos os segmentos. Houve uma migração das classes (D para C, C para B, etc...) e o crédito, outrora raro, tornou-se acessível. Todos os segmentos se beneficiaram, mas obviamente aqueles que tem acesso ao crédito pela primeira vez se beneficiaram mais, especificamente as classes C e D.
FRASES-LEGENDAS
"O Brasil recebe muito bem o investidor estrangeiro e tem tudo para manter o nível de crescimento de maneira sustentável"
"Nos últimos anos houve um grande avanço do mercado de crédito e cobrança e ainda há espaço para mais conquistas"
"Na atual conjuntura do País, os créditos estão mais acessíveis e todos os segmentos se privilegiam com este cenário"
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