Superada a crise global de 2008, que alterou a estratégia de crescimento de países e empresas, o ano de 2011 chega com muitas novidades e desafios para o segmento de crédito e cobrança na América Latina
Por Elvira Parise
O futuro em curto prazo é muito animador! Esta é a convicção de Luciano Nícora, presidente da ASARCOB (Associação Argentina de Empresas de Cobranças e Estudos Jurídicos). O país que atravessou crises econômicas gravíssimas planeja expandir operações para vizinhos, como Paraguai ou Peru, e investe na consolidação de leis que facilitem o desempenho do setor.
Menos otimista, Jorge Humberto Pazos Chaves, um dos sócios fundadores da Associação de Profissionais de Serviços de Cobrança e AC Legal (APCOB) – sediada no México – acredita que o ano de 2011 será de desafios: “Vai ser difícil esquecer as dificuldades econômicas dos últimos seis meses. No setor bancário, a alta da inadimplência, particularmente no setor de cartões de crédito, foi ainda pior que em outros segmentos”.
O fortalecimento do mercado interno com o aumento de postos de trabalho e a inclusão de novos consumidores é uma demanda política urgente quase que na totalidade dos países latino-americanos. Concretizado este esforço, entra a colaboração do setor de crédito e cobrança. Nicora explica como ela já está reconfigurando o cenário financeiro na Argentina: “As facilidades de acesso ao crédito permitiram que os bancos retomassem volumes de negócios do mesmo porte da década passada”.
Os resultados satisfatórios na Argentina foram obtidos graças à menor flexibilidade nas políticas de crédito, o que evitou aumentos significativos nos indicadores de inadimplência.
Novos paradigmas
À frente da VN GLOBAL BPO, empresa que fundou e preside, Nicora já está com o planejamento anual em andamento: “Nosso principal projeto para 2011 é desenvolver um espaço interativo de cobranças em outros países com o objetivo de conseguir uma combinação de estrutura de custos off shore – on shore que nos permita oferecer preços mais atrativos que os praticados hoje na Argentina”.
Pazos Chaves, que também dirige empresa própria no México, a Chávez Law Offices Pazos (ASECON), não foca projetos em particular, prefere definir a estratégia da virada: “Otimização de recursos humanos e tecnológicos serão determinantes para atingir objetivos, bem como a especialização no conhecimento dos diferentes produtos. O ganho em vantagens competitivas dependerá do controle de custos operacionais e da qualidade do serviço”, avalia.
Como toda realidade tem dois lados, o legado positivo da crise é a mudança e reinvenção de modelos: “A crise fincará os fundamentos de novos paradigmas, desenvolvidos a partir dos desafios a superar. Além disso, a experiência fortalecerá o conhecimento, ferramenta fundamental para o reaquecimento da indústria e das transações de crédito”, acredita Chavez.
Nicora, que é membro do board da Endeavor, certamente aposta no empreendedorismo como remédio contra o insucesso, enquanto faz a defesa de novas leis para embasar o desejado crescimento. O executivo preside a entidade (ASARCOB) que pleiteia para seus membros um órgão representativo da indústria de C&C perante a comunidade financeira, bancária e comercial, consumidores e meios de comunicação, com a regulamentação e legislação da atividade: “Na Argentina, estamos pleiteando nova regulamentação fiscal para o setor financeiro, que já está em discussão no Congresso da nação”, declara.
Sobrevoando o mau tempo
Tanto Nicora quanto Chavez integram o corpo executivo da LatinCob, uma das maiores instituições de cobrança do continente americano: ela reúne 13 países e mais de 35 grandes empresas. A julgar por seus porta-vozes, a LatinCob está particularmente empenhada em afastar as nuvens negras que nublaram o céu aberto de possibilidades no setor latino-americano de cobranças. “Os patos só fazem barulho e queixam-se, as águias sobem acima do grupo”. Com esta frase o presidente, John Jairo Aristizabal Ramirez, espelhou a filosofia da LatinCob hoje: nada de reclamar, a saída é voar acima das intempéries do clima sombrio em tempos de crise.
E para voar alto, vale diversificar mercados, como faz Nicora: sua empresa, com mais de 15 anos na prestação de serviços de BPO (Business Process Outsourcing), opera não só na Argentina, mas também no México (offshore) e Espanha (offshore).
Chavez, por sua vez, ressalta a importância da segmentação na carteira de clientes. Indústria automobilística e setor imobiliário, segundo o executivo, estão no alvo dos principais players no crédito, como bancos. Mas para todo o plano dar certo, a tecnologia precisa evoluir: “Na Argentina, a eficiência nos processos de cobrança deixou a desejar nos últimos três anos em função da ineficiência tecnológica. O controle eficiente de processo exige hoje ferramentas bem mais sofisticadas do que os CRM e PBX do passado”, conclui Nícora.
Consultas sobre serviços info@cmspeople.com
® CMS | Credit Management Solutions S.A. | Todos os direitos reservados