Aliada ao bom momento da economia, a capacidade de empreender do brasileiro tem sido decisiva para a viabilização de micro e pequenas empresas, além de uma chance de realização profissional para uma parcela significativa da população, segundo o Sebrae, serviço que ajuda pequenas e médias empresas a estrearem e deslancharem no mercado.
Navegar é preciso. A máxima aplica-se integralmente a empreendedores, uma vez que antes de se aventurar no mar dos negócios, deve-se consultar as cartas marítimas e instrumentos de orientação, para que atinja as terras do sucesso empresarial. A reflexão metafórica é do diretor-superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – Sebrae-SP, Bruno Caetano.
Segundo Caetano, sempre haverá tormentas pelo caminho, mas com planejamento o empresário sempre terá o controle das velas na mão. “Planejar é a palavra de ordem do empreendedor que pretende montar a sua empresa e sobreviver em um mercado extremamente competitivo”, sentencia. “E este planejamento antecede qualquer ação voltada à constituição de um empreendimento.”
De acordo com a agência, o empreendedorismo tem sido uma saída para grande parte da população brasileira. Não só pela vocação de empreender do brasileiro. O ambiente econômico favorável, e a estabilidade que a microeconomia tem alcançado, empurra as micro e pequenas empresas para frente na cena econômica e as torna a bola da vez.
+ Para cada dois negócios abertos por oportunidade existe um por necessidade. Quem empreende por oportunidade geralmente planeja melhor o negócio e, por isso, tem mais chance de sobreviver.
+ Estabilidade: Os pequenos negócios estão sobrevivendo mais. Há 12 anos, 35% dos empreendedores que abriam seus negócios quebravam no primeiro ano de atividade. Hoje, este índice caiu para 27%. Paralela a esta queda vimos crescer o número de empreendedores por oportunidade, aqueles que se prepararam para empreender, além de uma significativa melhora na qualificação do empresário que planeja melhor e tem escolaridade cada vez mais elevada.
+ Indicadores de desempenho das MPEs:Na comparação com maio de 2010 - que já tinha sido bom com crescimento de 13,4% referente a 2009 - em 2011 o faturamento cresceu 6,1%. O comércio teve maior faturamento (+8,7%), seguido pela indústria (+3,7%) e serviços (+2,9%).
Entre os fatores que contribuíram para os resultados acima estão:
- A evolução favorável do emprego e renda na economia. De acordo com o IBGE, em maio/11 a massa salarial da economia brasileira teve uma expansão real de 6,6% sobre maio/10.
- O fato de maio de 2011 ter um dia útil a mais que maio de 2010 (efeito calendário). Na comparação, a receita das MPEs apresentou expansão real de 7,7%. As vendas das MPEs, particularmente no comércio, costumam ser beneficiadas pelas vendas do Dia das Mães.
- A expectativa é de manutenção tanto de faturamento, quanto para a atividade econômica nos próximos seis meses: 52% acreditam em manutenção na receita da empresa, ante uma média de 46% entre janeiro/11 e maio/11.
+ Melhoria do perfil do empreendedor: tem mais tempo de estudo e está se planejando mais.
• 83% possuem ensino médio completo ou mais
• 78% abriram “por oportunidade”
• 64% são do gênero masculino
• 62% afirmam ter tido experiência/conhecimento anterior no ramo
• 67% têm familiares ou amigos donos de negócios próprios
• 37 anos é a média de idade de quem abriu empresa
• 32% estavam ocupados como empregados de empresa privada, antes da abertura da empresa.
Sortilégios do destino
Em 2002, Raquel Cruz, 41 anos, deixou sua carreira bem sucedida de secretária executiva para investir no negócio próprio. Uniu seis anos de experiência em multinacionais com a prática comercial do esposo. Juntou neste processo a paixão pelo esoterismo e uma ideia inovadora: transformar a magia da aromaterapia em colônias. Desse desafio nasceu a Feitiços Aromáticos, em São Paulo (SP).
A fábrica de Raquel nasceu na garagem de casa. Com poucos recursos, vindo das reservas pessoais, muitas dúvidas e nenhuma experiência, foram grandes os obstáculos a serem superados.
Enquanto o mercado abria portas para seus produtos, Raquel se debruçava sobre livros, pesquisava sobre esoterismo e voltava aos bancos escolares, visando se tornar a química responsável pela própria fábrica.
Para conseguir o diploma, Raquel precisou de um ano e meio e para registrar os produtos na Anvisa, foram dois. Com CNPJ em mãos e fábrica regularizada, iniciou a produção das colônias.
Com a fábrica crescendo, surgiram os primeiros problemas administrativos. Foi quando Raquel procurou o SEBRAE-SP. “O SEBRAE-SP foi fundamental na empresa. Quando descobri a organização como um órgão de capacitação, não saí mais de lá”, conta.
Raquel participou de capacitações em temas da área financeira à liderança, passando por gestão e planejamento. E ressalta: para continuar sólido mesmo em mercado arriscado, contar com consultoria especializada é uma segurança.
Por Hilda César