Especialistas revelam os bastidores e o rápido crescimento das fusões e aquisições na área de empresas de recuperação de crédito.
Uma das áreas mais importantes e rentáveis para investimentos bancários e departamentos comerciais coorporativos ligados a crédito e cobrança é a atividade de Fusões e Aquisições, mais conhecida pela sigla M&A, referente ao termo, em inglês, Mergers and Acquisitions.
O assunto foi um dos pontos fortes no Debate de Cobrança e tema central do debate “M&A, Fusões e Aquisições: uma tendência na criação de valor e sinergias”, palestras do 7º Congresso Nacional de Crédito e Cobrança. O conceito de M&A define todas as operações que determinam a modificação permanente na estrutura societária de uma ou mais empresas. Como são processos complexos, geralmente há a intervenção de profissionais especializados para finalizá-los com sucesso.
As fusões são processos nos quais duas ou mais empresas se unem a fim de criar uma nova pessoa jurídica. Já as aquisições referem-se às operações de transferência da propriedade de uma empresa para um ou mais novos sócios. A estrutura desta operação pode ser stock purchase - venda das ações da respectiva companhia - ou asset purchase - venda dos ativos/passivos do complexo empresarial. Há também aporte de ativo, spin-off e troca de participações, operações que envolvem troca de ações das companhias envolvidas.
O diretor executivo e CEO da Greenberg Advisors, Brian Greenberg, apresentou um case com as 10 chaves para fechar com sucesso uma operação de M&A de empresas de cobrança [veja box]. A Greenberg Advisors é uma assessoria especializada em M&A, avaliações de mercado, movimentação de capital, estratégias e em tudo que envolve análise e planejamento para compreensão e valorização do negócio, há mais de 16 anos no mercado e a mais ativa mundialmente no segmento, com mais e 70 acordos de M&A finalizados.
Em entrevista exclusiva para a Credit Performance, Brian Greenberg ressaltou que, apesar das peculiaridades do mercado de cobrança, o número de investidores interessados vem aumentando. “É um segmento que oferece um serviço útil à economia e por isso há investidores no mundo todo que, apesar de possuírem capital para aplicar em qualquer outro tipo de empresa, apostam em empresas de cobrança. Isso aumenta o valor do profissionalismo e melhora a visão das pessoas, pois eles acreditam no futuro do empreendimento”, explica o diretor, otimista.
Greenberg afirma que todos os países do mundo sabem como a economia brasileira está crescendo rapidamente e acompanham todas as mudanças que envolvem esse processo, portanto há muita atenção em torno do Brasil. “Há uma grande demanda de investidores interessados na diversificação. Eles querem dividir o capital em vários países e não aplicar em um só, querem fazer a economia girar e as oportunidades serem ampliadas. O Brasil é um desses lugares”, revela.
O interesse nas empresas de recuperação de crédito do Brasil está relacionado a fatores como expansão de mercado e de clientes, diversificação geográfica para investidores, necessidade de crescimento por parte de grandes multinacionais do segmento e a globalização da indústria de cobrança.
Luís Sousa, diretor executivo e CEO do grupo português Logicomer, apresentou o case “Uma empresa portuguesa investindo no Brasil. Com que estratégia e por quê?”, na qual enumerou os passos, do planejamento à execução, do investimento que realizou em nosso país. “Escolhemos o Brasil porque é um país fantástico com o qual possuímos muitos laços, por exemplo, uma cultura parecida com a nossa e, principalmente, por causa do incrível crescimento creditício e do aumento exponencial do consumo”, conta Luís.
Entre as estratégias de internacionalização, todas as possibilidades foram avaliadas: aquisição, fusão, investimento direto, exportação indireta e joint-venture. Após pesquisa e planejamento detalhados, acabaram optando pela última opção.
O sócio da Advisia, Luiz Penno, uma das mais importantes consultorias nacionais do segmento, expôs “Um case de consolidação. Verdades e características próprias do Brasil”, painel no qual traçou um panorama do cenário atual brasileiro do mercado de cobrança.
Penno também fez uma análise sobre a importância de um processo de M&A para a salubridade da economia nacional. “Temos um apego ao controle dos negócios, especialmente os que nós mesmos criamos. É necessário reconhecer quando o melhor é deixar que outra pessoa, ou empresa, assuma o comando. Todos os lados só têm a ganhar”, afirma.
As 10 chaves para aumentar o valor de uma negociação de M&A
Fatores a longo prazo
1- Gestão com incentivos para acordos de M & A;
2- Uma plataforma ou uma especialização de nicho diferenciada;
3- Infraestrutura de alta qualidade;
4- Diversos fluxos de receitas;
5- Estreito relacionamento com o cliente;
Fatores a curto prazo
6- Explorar todas as suas alternativas para certificar-se de que não perderar nenhum lucro;
7- Definir as expectativas e se comunicar com gerentes e funcionários, na hora certa;
8- Fazer a sua diligência por conta do comprador;
9- Considerar todas as estruturas;
10- Contratar os melhores assessores para ajudá-lo a tomar a melhor decisão.
Por Kalinka Araneda