Sábado 04 Fevereiro 2012
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INDICADORES

Otimista, mas em alerta

Os reflexos da crise financeira internacional no setor de crédito ainda inspiram cuidados. Mas as análises de indicadores do primeiro semestre mostram que já é possível nutrir otimismo com o desempenho de 2009.

A crise já passou. A afirmação, que vem ganhando coro cada vez mais forte entre políticos, empresários, economistas e financistas brasileiros, não pode ser levada ao pé da letra pelo mercado de crédito nacional. Muito embora os resultados dos últimos meses venham enchendo o setor de esperança, os dados do acumulado do ano mostram que um pouco de prudência ainda é necessária.

A busca de crédito por consumidores registrou queda de 5,3% nos sete primeiros meses do ano frente mesmo período de 2008, segundo o indicador Serasa Experian de Demanda dos Consumidores por Crédito. O número, já considerável, é ofuscado pelo índice relativo à demanda das empresas por crédito, que foi 6,1% menor de janeiro a julho deste ano se comparado com os sete primeiros meses de 2008, de acordo com o indicador de Demanda das Empresas por Crédito, da mesma empresa.

Roberto Troster, sócio da Integral Trust e ex-economista-chefe da Febraban, avalia que os indicadores de desempenho negativos não se devem apenas à crise externa, mas também aos problemas estruturais que o setor apresenta. Na opinião dele, diante da instabilidade da crise, o mercado de crédito como um todo acabou reagindo de forma similar, com a oferta de linhas mais caras.

"Tivemos um primeiro quadrimestre muito ruim. O fim do primeiro semestre foi um pouco melhor e nos últimos meses começamos finalmente a enxergar uma possibilidade de inversão neste quadro", afirma Troster. "Ainda é preciso agir com cautela, mas as perspectivas para o ano são positivas."

Prova disso são os resultados colhidos pelos indicadores da Serasa. Em julho, o índice que mede a busca de consumidores por crédito foi positivo em 3,5%, resultado que pela primeira vez no ano superior os mesmo mês de 2008. No tocante à demanda de crédito por empresas, a taxa de julho anotou expansão de 5,5% frente a junho, deflagrando a quinta alta mensal consecutiva. O resultado significa que a busca de empresas por crédito em julho superou pela primeira vez em 2009 o patamar verificado em outubro do ano passado, quando a crise internacional se agravou.

"Mantido esse ritmo de recuperação, a demanda dos consumidores por crédito deve encerrar 2009 com variação acumulada positiva entre 0% e 5% frente ao ano passado", aposta Luiz Rabi, gerente de indicadores da Serasa Experian. "Já para as empresas, a demanda de crédito deve fechar próximo de zero."

Embora otimista, na opinião de Troster essa é uma previsão bem realista e factível de ser cumprida. Ele lembra que o índice de atividade econômica no Brasil vem crescendo, assim como as taxas de investimento e de emprego. No sentido oposto, o País vem observando a uma queda gradual da taxa Selic, um recuo nas taxas médias de juros praticadas pelo setor de crédito e no índice de comprometimento da renda dos brasileiros. "Estamos com uma composição de renda melhor e com taxas médias mais baixas, o que é bom sinal para o mercado de crédito", avalia Troster.

Inadimplência

Dados do Banco Central mostram que em 2009 ainda não houve nenhum mês em que a inadimplência fosse menor se comparada com igual período do ano anterior. Em julho, por exemplo, a taxa líquida em São Paulo estava em 7,4%, contra índice de 6,3% anotados no mesmo mês de 2008.

"A inadimplência é uma condição do mercado de crédito e temos de saber lidar com ela. Por enquanto, não acredito que há motivos para alarde. Só ligaremos o sinal de alerta se o índice continuar no crescente até novembro", comenta João Paulo Mattos, superintendente do Instituto GEOC. "De qualquer forma, acredito que a tendência é que os índices se estabilizem ainda neste ano."

Troster sinaliza que os índices ainda estão altos pelo carry-over da dinâmica anterior, mas a partir de novembro devem iniciar uma trajetória de queda. “À medida que o crédito cresce, você tem mais liquidez, o que acaba se refletindo positivamente também na inadimplência, que tende a recuar.”
Voltar aos mesmos padrões de 2007 ou de antes da crise, entretanto, é cenário que só pode ser vislumbrado a partir de 2010, na opinião do economista.

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