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Um balanço de 2009 e perspectivas para 2010

Tendência de queda da inadimplência dos consumidores e empresas no primeiro semestre deste ano, além da expansão do crédito para diversos segmentos, geram otimismo entre analistas e economistas William Messias

A expectativa para o cenário econômico em 2010 começa de forma otimista na visão de muitos analistas e economistas. Um dos principais motivos é a retomada do crescimento economico do País, após a crise financeira que assolou o mundo a partir do segundo semestre de 2008.

O referencial para tanto otimismo vem dos números registrados no final de 2009. A queda da inadimplência do consumidor registrado no 4º trimestre e a sinalização de redução das dívidas do consumo pelas empresas no início deste ano são os principais fatores que desenham o cenário econômico para 2010.

Para o gerente de economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), André Rebelo, o Brasil vive um momento de expansão de crédito para pessoas físicas e jurídicas. "Os perigos econômicos foram afastados. Essa crise financeira que surprendeu diversos países é o resultado de uma ‘ressaca econômica', devido ao forte crescimento no primeiro semestre de 2008." Rebelo aponta que a redução da taxa tributária imposta pelo governo e a postura dos bancos públicos em oferecer crédito para o consumidor foram os fatores determinantes para o equílibrio econômico em 2009.

De acordo com o Indicador Serasa Experian da Qualidade de Crédito do Consumidor, que avalia numa escala de 0 a 100 a qualidade de crédito do consumidor, o 4º trimestre de 2009 registrou alta de 0,5%, chegando ao patamar de 78,6. Com este resultado, quanto mais próximo do patamar 100, menor será a probabilidade de inadimplência, tendência que deverá seguir no primeiro semestre deste ano.

Ainda de acordo com o indicador, a região Sul ficou acima da média nacional, apresentando registro de 83,8, seguida pela região Sudeste, com 78,6, empatada com a média nacional. A região Norte teve a pior qualidade de crédito para o consumidor, marcando 74,6. Já o Centro-Oeste (76,4) e o Nordeste (77,6) acabaram ficando abaixo da média nacional.

A explicação para esse resultado, aponta o indicador, é que a qualidade de crédito tende a ser positivamente correlacionada com a sua renda mensal, conforme demonstra o gráfico abaixo:

Na comparação feita entre o 3.º e o 4.º trimestres do ano passado, apenas a faixa das pessoas que possuem renda mensal de R$ 1.000,00 a R$ 2.000,00 apresentou estabilidade. Já as demais faixas registraram melhora na qualidade de crédito, tendência que seguirá no primeiro semestre de 2010 e que é reforçada pela recente pesquisa divulgada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), sobre a percepção de aumento de crédito: 82% dos 2.200 entrevistados com renda mensal acima de 10 salários mínimos acreditam que conquistar um empréstimo para comprar a prazo neste ano estará mais fácil do que em 2009.

Para o professor de economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) e doutorando em economia pela Universidade de Campinas (Unicamp), Erivaldo Costa Vieira, o mercado de crédito para pessoas físicas em 2010 continuará em expansão devido aos riscos de inadimplências serem menores do que em anos anteriores, que marcaram a crise financeira mundial. "Hoje o cenário econômico é mais favorável e os riscos são menores. É mais vantajoso para os bancos emprestarem mil reais para 100 pessoas, do que 100 mil reais para uma única empresa", justifica.

Ainda de acordo com o professor Erivaldo Costa Vieira, os investimentos estrangeiros no País e a geração de emprego em 2009 estão na lista de fatores predominantes para esse equilíbrio no mercado de crédito em 2010, e mesmo em época de eleição a economia brasileira continuará estável. "Em ano de eleição, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, tende a baixar a taxa de juros no primeiro semestre, mas o mercado aponta crescimento da taxa Selic, hoje em 8,75%, a partir de abril. Acreditamos, assim, que a taxa de juros fechará em 11,25% em 2010." Porém, mesmo com a previsão de alta da taxa de juros, o professor de economia da FECAP ressalta que o mercado continuará aquecido entre janeiro e junho.

Inadimplência das empresas deve cair

Outro indicador que sinaliza um cenário econômico positivo para este primeiro semestre é o Indicador Serasa Experian de Perspectiva da Inadimplência das Empresas, que recuou 7,6% em novembro do ano passado, chegando ao patamar de 102,1. Com este resultado, quanto mais próximo do patamar 100, menor a probabilidade de inadimplência das empresas, tendência que deverá prosseguir no primeiro semestre deste ano.

Essa perspectiva também é defendida pelo economista Ricardo Jacomasi, da consultoria de crédito Lafis e colunista do site Infomoney. O especialista prevê que o Brasil deverá ultrapassar a especulação dos analistas e economistas que prevêem crescimento econômico de 5% ao ano. "A inadimplência das empresas continuará caindo devido à quantidade de crédito disponível no mercado, que está atrelado à renda em razão da forte geração de emprego no ano passado. Assim, esperamos um crescimento econômico de 5,2% para 2010", explica.

De acordo com Jacomasi, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil crescerá 51% em 2010 e um dos motivos para tanto otimismo vem do desbloqueio de linhas de crédito para empresas, o que facilitará a exportação dos produtos. "Temos a linha do Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC), na qual, com o desloqueio dessa linha de crédito, empresas como a Sadia e Aracruz, por exemplo, encontrarão mais facilidade para exportação e, consequentemente, impulsionarão a economia nacional. Hoje existe uma percepção de que, com a volta do consumo, as empresas precisarão aumentar seus estoques e os bancos públicos já começaram a definir suas linhas de créditos para as empresas", aponta.

Para a FIESP, o crescimento econômico brasileiro chegará a 6% em 2010. A justificativa para essa previsão baseia-se no aumento do salário mínimo, da geração de emprego criada em 2009 e do controle da inflação. "A capacidade produtiva vai aumentar. Hoje o sistema bancário está atingindo segmentos por meio de linhas de créditos que antes não atingiam, como os microcréditos. Os bancos necessitam rentabilizar seus ativos e precisam transformar isso em crédito para as empresas. A tendência é expansão em todos os segmentos e direções", afirma André Rebelo.

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