Quinta 29 Julho 2010
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Líderes da Industria

Entrevista com Ricardo Marino, diretor executivo da Área de Pessoas e Unidades Externas do Itaú Unibanco. Responsável pela integração de diferentes culturas no processo de fusão que deu origem ao maior banco do Hemisfério Sul, Marino acumula també

Ricardo Marino


No fechamento do 1º trimestre de 2010, o Itaú Unibanco integra o ranking dos maiores bancos do mundo por valor de mercado, segundo a Bloomberg. Soma, em dezembro de 2009, 4.896 agências e postos de atendimento bancários, operacionalizados por um grupo de 101.640 funcionários. 

Até o final de 2010, planeja abrir aproximadamente 150 agências em todo o país e continua investindo fortemente para aproveitamento das oportunidades de crescimento da economia brasileira nos próximos anos. 

A América Latina, fronteira já desbravada e conquistada, é o outro mercado de oportunidades que a instituição quer ampliar e consolidar. Pessoas e processo de fusão bem alicerçado serão pilares dessa expansão anunciada, segundo Ricardo Marino, diretor executivo da Área de Pessoas e Unidades Externas.

Marino é engenheiro pela Universidade de São Paulo, com MBA no MIT Sloan School of Management e Mestrado na Harvard Business School, EUA. Iniciou sua carreira no Banco Credit Comerciale of France (CCF) e trabalhou também no Banco de Investimentos Garantia (CSFB) e Goldman Sachs em Nova York.

Levou essa bagagem para o Itaú, onde – antes de assumir o atual papel estratégico de consolidação do grupo na AL – coordenou a criação da divisão de Business Intelligence da Itaucard,  a Mesa de Clientes da Tesouraria,  a área de crédito do Mercado Empresas e a área de Crédito Imobiliário. A experiência lhe dá a certeza: “O crédito imobiliário alicerçará o crescimento no setor de crédito e cobrança no Brasil dos próximos dez anos.”

O executivo, que também responde pelas operações da América Latina (Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai) do Itaú  Unibanco, acredita que pessoas e equipes motivadas são “fundamentais para a identificação das melhores práticas e a construção de um novo, e ainda melhor, banco onde se trabalhar”. Acompanhe a seguir entrevista exclusiva.

Credit Performance – O Itaú saiu, sem dúvida, fortalecido da crise internacional de 2008. Como você vê os bancos da América Latina após a crise financeira internacional?
Ricardo Marino – A crise, claramente, ainda não terminou. Mas é fácil perceber que a América Latina tem conseguido atravessá-la com, relativamente, poucos problemas. A solidez de seus sistemas bancários é um dos motivos. Basta ver que o crédito bancário internacional para a região continuou a crescer, ainda que num ritmo mais lento. No final de março deste ano, o saldo total de haveres dos bancos estrangeiros na Europa emergente, na Ásia emergente e no Oriente Médio caiu drasticamente, desde o princípio da crise, em meados de 2007, e até se tornou negativo – isto é, os bancos liquidaram empréstimos. Já na América Latina, houve uma desaceleração do crescimento, mas o crédito para a região continuou crescendo, mesmo num ritmo muito mais baixo do que antes da crise. 

Credit Performance – Na sua opinião, o que diferencia os bancos da AL no cenário global, garantindo vantagens no enfrentamento da recente crise?
Ricardo Marino – Além dos fatores macroeconômicos determinantes, como taxa de câmbio flutuante, disciplina fiscal, regulação mais rigorosa e saldo credor em reservas internacionais, o ambiente bancário na América Latina é diferente por contar com a presença forte de bancos estrangeiros e internacionais, e, ao mesmo tempo, com uma base de depósitos em moeda local preponderante. A captação de depósitos em moeda local permitiu aos bancos estrangeiros instalados na região continuar emprestando mesmo no auge da crise, logo após a quebra do Lehman Brothers, no final de 2008. Empréstimos de bancos estrangeiros denominados e lastreados em moeda local costumam ser mais resistentes a crises externas do que o crédito em moeda estrangeira. Dessa forma, a participação de bancos e fluxos de empréstimos internacionais não representou um canal de contágio da crise tão importante quanto no passado. Além disso, o fato de as economias latino-americanas, em geral, possuírem um setor bancário diversificado, com a presença também de instituições públicas fortes, mostrou-se uma vantagem. A diversificação foi muito importante.

Credit Performance – O Brasil surpreendeu o mundo por sua forte capacidade de recuperação. Quais foram, na sua avaliação, os pilares desta retomada?
Ricardo Marino – A freada brusca dos fluxos globais causou um choque cambial no Brasil. Porém, ao contrário do que sempre ocorria por aqui, a inflação não subiu. Pela primeira vez, pudemos lançar mão das chamadas políticas anticíclicas.

Credit Performance – Nos últimos 10 anos o Brasil mostrou um forte desenvolvimento do crédito ao consumo. O que impulsionará o Brasil nos próximos 10 anos?
Ricardo Marino – O crédito imobiliário, que deverá alicerçar o setor de crédito e cobrança.
 
Credit Performance
– Como o maior banco da AL, quais desafios e oportunidades o Itaú Unibanco visualiza no cenário atual?
Ricardo Marino – A primeira oportunidade é a de empreender uma execução muito bem feita da integração entre Itaú e Unibanco, de maneira a consolidar a liderança no mercado doméstico. Após essa etapa, o banco estará atento às oportunidades para servir melhor os seus clientes na AL, dando preferência para o ganho de escala nos países em que o Itaú Unibanco já tem presença.

O movimento de aumento do poder aquisitivo de todas as classes sociais é acompanhado de perto pelo Itaú Unibanco, que oferece produtos específicos para suprir as necessidades crescentes de cada perfil de cliente. Para isso, desenvolve linhas de crédito acessíveis com o objetivo de atender cada segmento social e suas particularidades.

Atento também e comprometido com a educação financeira, o banco busca ampliar a conscientização de seus públicos a respeito do emprego adequado do dinheiro e dos serviços, contribuindo com o desenvolvimento econômico sustentável de longo prazo do país e de sua população. Nesse sentido, o Itaú Unibanco tem ampliado sua oferta de crédito ao consumidor e às empresas. Em especial, vem beneficiando pequenas e médias com produtos e taxas competitivos. Em 2010, sob um cenário de crescimento do PIB estimado entre 5,5% e 6%, prevê crescimento médio de aproximadamente 20% na carteira de crédito, excluindo-se o segmento de grandes empresas.

A proposta é ampliar em 20% os financiamentos a pequenas e médias empresas, e entre 16% e 17% para pessoas físicas entre 16% e 17%. O crédito imobiliário deve crescer acima dos 40%, acompanhando o recente crescimento desse segmento, acentuado, embora ainda pequeno, nos valores absolutos em relação ao PIB brasileiro. Para permitir a expansão prevista da carteira de crédito, o índice de capitalização do banco (critério de Basiléia) é confortavelmente superior ao mínimo exigido pelo Banco Central.

Por Christiane Marcondes Alves de Brito

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