
No fechamento do 1º trimestre de 2010, o Itaú Unibanco integra o ranking dos maiores bancos do mundo por valor de mercado, segundo a Bloomberg. Soma, em dezembro de 2009, 4.896 agências e postos de atendimento bancários, operacionalizados por um grupo de 101.640 funcionários.
Até o final de 2010, planeja abrir aproximadamente 150 agências em todo o país e continua investindo fortemente para aproveitamento das oportunidades de crescimento da economia brasileira nos próximos anos.
A América Latina, fronteira já desbravada e conquistada, é o outro mercado de oportunidades que a instituição quer ampliar e consolidar. Pessoas e processo de fusão bem alicerçado serão pilares dessa expansão anunciada, segundo Ricardo Marino, diretor executivo da Área de Pessoas e Unidades Externas.
Marino é engenheiro pela Universidade de São Paulo, com MBA no MIT Sloan School of Management e Mestrado na Harvard Business School, EUA. Iniciou sua carreira no Banco Credit Comerciale of France (CCF) e trabalhou também no Banco de Investimentos Garantia (CSFB) e Goldman Sachs em Nova York.
Levou essa bagagem para o Itaú, onde – antes de assumir o atual papel estratégico de consolidação do grupo na AL – coordenou a criação da divisão de Business Intelligence da Itaucard, a Mesa de Clientes da Tesouraria, a área de crédito do Mercado Empresas e a área de Crédito Imobiliário. A experiência lhe dá a certeza: “O crédito imobiliário alicerçará o crescimento no setor de crédito e cobrança no Brasil dos próximos dez anos.”
O executivo, que também responde pelas operações da América Latina (Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai) do Itaú Unibanco, acredita que pessoas e equipes motivadas são “fundamentais para a identificação das melhores práticas e a construção de um novo, e ainda melhor, banco onde se trabalhar”. Acompanhe a seguir entrevista exclusiva.
Credit Performance – O Itaú saiu, sem dúvida, fortalecido da crise internacional de 2008. Como você vê os bancos da América Latina após a crise financeira internacional?
Ricardo Marino – A crise, claramente, ainda não terminou. Mas é fácil perceber que a América Latina tem conseguido atravessá-la com, relativamente, poucos problemas. A solidez de seus sistemas bancários é um dos motivos. Basta ver que o crédito bancário internacional para a região continuou a crescer, ainda que num ritmo mais lento. No final de março deste ano, o saldo total de haveres dos bancos estrangeiros na Europa emergente, na Ásia emergente e no Oriente Médio caiu drasticamente, desde o princípio da crise, em meados de 2007, e até se tornou negativo – isto é, os bancos liquidaram empréstimos. Já na América Latina, houve uma desaceleração do crescimento, mas o crédito para a região continuou crescendo, mesmo num ritmo muito mais baixo do que antes da crise.
Credit Performance – Na sua opinião, o que diferencia os bancos da AL no cenário global, garantindo vantagens no enfrentamento da recente crise?
Ricardo Marino – Além dos fatores macroeconômicos determinantes, como taxa de câmbio flutuante, disciplina fiscal, regulação mais rigorosa e saldo credor em reservas internacionais, o ambiente bancário na América Latina é diferente por contar com a presença forte de bancos estrangeiros e internacionais, e, ao mesmo tempo, com uma base de depósitos em moeda local preponderante. A captação de depósitos em moeda local permitiu aos bancos estrangeiros instalados na região continuar emprestando mesmo no auge da crise, logo após a quebra do Lehman Brothers, no final de 2008. Empréstimos de bancos estrangeiros denominados e lastreados em moeda local costumam ser mais resistentes a crises externas do que o crédito em moeda estrangeira. Dessa forma, a participação de bancos e fluxos de empréstimos internacionais não representou um canal de contágio da crise tão importante quanto no passado. Além disso, o fato de as economias latino-americanas, em geral, possuírem um setor bancário diversificado, com a presença também de instituições públicas fortes, mostrou-se uma vantagem. A diversificação foi muito importante.
Credit Performance – O Brasil surpreendeu o mundo por sua forte capacidade de recuperação. Quais foram, na sua avaliação, os pilares desta retomada?
Ricardo Marino – A freada brusca dos fluxos globais causou um choque cambial no Brasil. Porém, ao contrário do que sempre ocorria por aqui, a inflação não subiu. Pela primeira vez, pudemos lançar mão das chamadas políticas anticíclicas.
Credit Performance – Nos últimos 10 anos o Brasil mostrou um forte desenvolvimento do crédito ao consumo. O que impulsionará o Brasil nos próximos 10 anos?
Ricardo Marino – O crédito imobiliário, que deverá alicerçar o setor de crédito e cobrança.
Credit Performance – Como o maior banco da AL, quais desafios e oportunidades o Itaú Unibanco visualiza no cenário atual?
Ricardo Marino – A primeira oportunidade é a de empreender uma execução muito bem feita da integração entre Itaú e Unibanco, de maneira a consolidar a liderança no mercado doméstico. Após essa etapa, o banco estará atento às oportunidades para servir melhor os seus clientes na AL, dando preferência para o ganho de escala nos países em que o Itaú Unibanco já tem presença.
O movimento de aumento do poder aquisitivo de todas as classes sociais é acompanhado de perto pelo Itaú Unibanco, que oferece produtos específicos para suprir as necessidades crescentes de cada perfil de cliente. Para isso, desenvolve linhas de crédito acessíveis com o objetivo de atender cada segmento social e suas particularidades.
Atento também e comprometido com a educação financeira, o banco busca ampliar a conscientização de seus públicos a respeito do emprego adequado do dinheiro e dos serviços, contribuindo com o desenvolvimento econômico sustentável de longo prazo do país e de sua população. Nesse sentido, o Itaú Unibanco tem ampliado sua oferta de crédito ao consumidor e às empresas. Em especial, vem beneficiando pequenas e médias com produtos e taxas competitivos. Em 2010, sob um cenário de crescimento do PIB estimado entre 5,5% e 6%, prevê crescimento médio de aproximadamente 20% na carteira de crédito, excluindo-se o segmento de grandes empresas.
A proposta é ampliar em 20% os financiamentos a pequenas e médias empresas, e entre 16% e 17% para pessoas físicas entre 16% e 17%. O crédito imobiliário deve crescer acima dos 40%, acompanhando o recente crescimento desse segmento, acentuado, embora ainda pequeno, nos valores absolutos em relação ao PIB brasileiro. Para permitir a expansão prevista da carteira de crédito, o índice de capitalização do banco (critério de Basiléia) é confortavelmente superior ao mínimo exigido pelo Banco Central.
Por Christiane Marcondes Alves de Brito
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