

MAFM: Como toda a economia em geral,este é um mercado que vem de um período de forte contração. Dado que nossos serviços estão diretamente relacionados com as cobranças e a recuperação de ativos, que é uma etapa final sobre o crédito, de alguma maneira o negócio sofre as mesmas conseqüências que o primeiro, mas de forma tardia. Ou seja, até o final de 2001, quando as companhias mantinham seus níveis de vendas, nós recebíamos atribuições periódicas e parte do processo de cobranças destas. No final do mesmo ano, a cadeia de pagamentos se rompeu e nós continuamos recebendo carteira normalmente. No final de 2002 começamos a receber a avalanche de contas que não puderam ser cobradas logo após a crise. Durante 2002 praticamente não houve nem oferta nem demanda de crédito, somado a isto, a pouca colocação foi realizada com normas muito rígidas quanto ao risco, o que tornou 2003 o ano de menor atribuição de carteira para todas as empresas dedicadas a este negócio. Acreditamos que esta reativação do consumo e do crédito vai impactar em nosso mercado no próximo ano.
Esta realidade é só na Argentina ou se estende aos países da região?
FTT: Com diferentes matizes, é uma realidade regional. Tanto Uruguai como Paraguai tiveram suas economias gravemente golpeadas pela crise argentina. O que tem a ver com este negócio é que parte das diferenças se explica pela menor escala de suas economias. Enquanto no Brasil ou na Argentina, as carteiras de clientes são totalmente massivas e cada atribuição de contas devedoras que recebemos durante os anos de crise demandavam um esforço operativo importante; no Paraguai nossa capacidade operativa supera as expectativas de captação de contas, por uma questão de sua menor bancarização, ou inclusive por sua baixa densidade demográfica. No que diz respeito ao Brasil, o condimento adicional é o importante volume das carteiras de cobranças, conforme o nível de sua economia e onde as dificuldades para levar adiante os processos de recuperação de carteira são muito mais custosos pela extensão territorial assim como por seus altos índices de incobrabilidade.
Como é o posicionamento da MO&PC?
MAFM: Durante 2002 e 2003 houve uma forte consolidação da MOPC Collections como líder do mercado. Atualmente no negócio específico de cobranças somos a maior companhia do mercado, pelo volume de faturamento, quantidade de clientes, contas administrativas e quantidade de profissionais de acordo com o ranking de agências de cobranças realizado por um importante banco da praça.
É uma realidade que nos demandou muito trabalho, constância e esforço, o que nos deixa muito orgulhosos.
A que atribui essa posição de liderança?
FTT: Atribuo ao grande trabalho em torno do cliente, principalmente. Oferecemos um serviço muito diferenciado para cada necessidade. Escutamos muito os clientes e trabalhamos nos valores que eles definiram como importantes. Também na incorporação de recursos tecnológicos e de capacitação de nossos recursos humanos em todos os níveis organizacionais. Durante o ano passado incorporamos tecnologia de discagem preditiva para todo nosso Call Center, projetamos sistemas estatísticos e comportamentais aplicados à gestão de cobranças, incorporamos o contato por internet como parte de nosso software de gestão, desenvolvemos processos automatizados de skip trace, entre outras ferramentas que permitem nos diferenciar pela competência.
MAFM: Creio que o segredo é entender o que o mercado precisa. É o nosso caso, os clientes nos escolhem fundamentalmente pela transparência, resultados comprovados e pelo profissionalismo de todo nosso staff de profissionais.
Possuímos muita experiência neste mercado e analisamos todas as etapas do serviço maximizando nossa capacidade operativa e minimizando os erros.
A semana passada, por exemplo, fizemos a incorporação de um cliente em tempo record: 24 horas. Com interfaces, conexão online, manuais e incorporação de recursos incluídos. Depois fomos todos festejar.
Quais são os segmentos que geram nova demanda de seus serviços?
FTT: Como se sabe, os primeiros que precisaram deste tipo de serviço foram os bancos e as companhias financeiras. Em seguida foram as concessionárias (luz, água, gás, TV a cabo, celulares, provedores de acesso à internet, etc) e as de crédito ao consumo.
Atualmente muitos outros segmentos foram somados, tais como as companhias de seguros, transportes, courriers e, inclusive, indústrias e boa parte do mercado B2B.
Nestes anos de experiência, o perfil do devedor mudou?
MAFM: Sem nenhuma dúvida. Mudou muito. Primeiro durante os últimos anos amadureceu a relação entre as empresas de carteiras massivas e seus clientes. Cada vez mais as partes sabem que podem fazer e o que não podem. Também houve profusa legislação no que diz respeito à Defesa do Consumidor. Isto no virtuoso. Em contrapartida, proliferaram os devedores profissionais, que conhecem perfeitamente os processos de gestão e as possibilidades reais de cobrar que as empresas possuem.
Lembro-me em uma conferência, há muito tempo, quando explicávamos uma matriz para seleção de casos para judicialização, que uma pessoa do público se aproximou e disse: tudo o que você explicou serve para eu saber como fazer para não lhe pagar e que você não pode iniciar juízo...e ele tinha razão.
Apesar de tudo, MO&PC Collections continua desenvolvendo ferramentas que permitem melhorar os processos de recuperação e cobrança das empresas, tendo no futuro o objetivo de continuar se antecipando às necessidades do mercado.
Consultas sobre serviços info@cmspeople.com
® CMS | Credit Management Solutions S.A. | Todos os direitos reservados