
2) Durante a crise argentina, que técnicas utilizaram para prevenir o risco?
O desaparecimento do crédito bancário durante grande parte de 2002 fez com que o processo de autorização se limitasse às solicitações pontuais de clientes do banco, neste caso, verificamos o bom comportamento na utilização de seus produtos. A partir de 2003, se verificou um impulso no crédito de consumo, impulsionado basicamente pelos cartões de crédito e em menor medida pelos empréstimos pessoais.
No período post desvalorização o segmento bancarizado reduziu consideravelmente, se concentrando em um segmento mais alto que o anterior. A análise da utlização de seus produtos de crédito e o grau de bancarização dos solicitantes de crédito, por meio dos informes dos bureaus creditícios, são ferramentas indispensáveis na prevensão do risco.
3) Que ferramentas empregam em sua Entidade para combater a morosidade?
Temos políticas conservadoras de crédito na admissão, uma análise estatística da carteira que premia os bons clientes e um temperado esquema de cobranças muito automatizado (tanto na etapa prematura como tardia) que retroalimenta as políticas de aprovação.
Na minha opinião, ter sob o mesmo comando, tanto a aprovação como a recuperação, permite um melhor e mais rápido monitoramento do comportamento da carteira. O qual ajuda a tomar decisões mais acertadas.
Um tema muito importante também é a "qualidade e calidez" que nosso banco prioriza no atendimento de seus clientes. Estas são qualidades muito valorizadas que fidelizam o comportamento de pagamentos dos empréstimos.
4) No contexto desta importante mudança de paradigmas, os bureaus e scores continuam tendo utilidade?
Do meu ponto de vista, cada vez mais vai se incrementando a utilização de modelos de comportamento, baseados não apenas nas atitudes dos clientes com seus bancos, como também com o resto de seus produtos, tanto no sistema financeiro, como em seus compromissos comerciais.
Os scores de perfis se limitarão aos "new commers" ou pessoas sem histórico creditício.
5. Têm contrato com alguma empresa que lhes facilitem informações comerciais sobre seus clientes?
Para a aprovação utilizamos o maior Credit Bureau da Argentina, cujo informe automatizado permite tomar decisões de forma ágil e sob um ambiente de risco controlado.
6) De que maneira mudou a segmentação do cliente pré e pós convertibilidade?Devemos reconhecer que o mercado bancário diminuiu. Atualmente, o segmento socioeconômico ABC1, tradicionalmente bancário, é o menor existente até 2001. A "classe média empobrecida" ou não está tomando crédito ou migrou para o financiamento não bancário (companhias financeiras ou comerciais).
À medida que o crescimento econômico se consolida, mais pessoas voltarão para o mercado de crédito bancário.
7) Como afetará o crescimento da economia informal ao crédito?
O segmento informal da economia está dentro daqueles que não tomam créditos bancários, enquanto que, nos bancos, estamos percebendo um leve crescimento de nossa carteira creditícia. As financeiras e companhias de consumo (grandes lojas, eletrodomésticos, etc), há meses, vêm crescendo em suas colocações.
8) Qual sua opinião sobre a possibilidade de continuar o caminho da recuperação? Como está o crédito neste percurso?
Entendo que não há possibilidade de crescimento sustentado de uma economia sem crédito. Para que a recuperação econômica seja contínua, basicamente deve haver confiança, tanto no que consome como no que investe para produzir bens ou serviços. O restabelecimento da confiança faz ressurgir o crédito.
9) Que importância atribui às Pequenas e Médias Empresas neste processo e, às grandes empresas?
Tanto umas como as outras são os motores indispensáveis da produção para o crescimento. Pela necessidade de reconstrução do aparelho produtivo e a quantidade de mão de obra empregada, a participação das Pequenas e Médias Empresas reveste especial relevância.
10) É otimista sobre o futuro de seu negócio?
Obviamente. A Argentina tem um enorme potencial de crescimento.
CARLOS ERTOLA é Gerente do Departamento de Crédito Varejista do BANCO GALICIA da Argentina. Tem uma extensa trajetória em nossa indústria, como Gerente de Créditos do BANCO CRÉDITO ARGENTINO / BANCO FRANCÊS; Gerente de Cobranças Individuais do Banco Crédito Argentino e nos anos de 1982 a 1994, no CITIBANK, como Gerente de Cobranças do Individual Bank, além de Senhor Credit Auditor Team Leader para o Uruguai e a Argentina.
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