(Setembro de 2008)
A LATINCOB entrevistou na terça-feira,6 de maio, o presidente da ASARCOB, Dr. Luciano Nicora. A Associação Argentina de Empresas de Cobranças e Estudos Jurídicos é a entidade que permitirá seus membros a criarem um Órgão de Representação da indústria de C&C perante a comunidade financeira, bancária e comercial e também os grupos de consumidores, meios de comunicação, regulamentação e legislação da atividade, entre outras funções. O Presidente da V/N nos conta sua experiência.
O doutor Luciano Nicora é advogado com MBA no IAE, presidente atual e fundador da ASARCOB, fundador e delegado na Argentina da LATINCOB, BOARD MEMBER da ENDEAVOR, VP da Associação Empresarial de Córdoba (ARGENTINA). Atualmente também é presidente e fundador da VN Global BPO, empresa que está completando 15 anos na prestação de serviços de BPO (Business Process Outsourcing) com foco em COBRANÇAS em suas origens e há alguns anos também oferecendo BPO com especialidade em Telemarketing e Customer Care, para os mercados da Argentina, México (offshore) e Espanha (offshore). Neste momento conta com 180 posições de trabalho, com 350 empregados operacionais e 50 staffs. Participa ativamente de congressos, conferências e seminários em diversos países da América Latina.
Dr. Luciano Nicora, como surgiu a idéia de criar a AsarCob?
Esta foi uma iniciativa de um grupo de colegas que tinham as mesmas inquietudes, problemáticas e objetivos. Nos últimos anos nos juntamos em várias oportunidades para tentar dar forma orgânica a estas reuniões. Participamos ativamente, com colegas de outros países da América Latina para a formação da LATINCOB (Associação Latino-americana de Empresas de Cobranças).
Desta interação extranacional, fomos amadurecendo a Idéia de ser orgânicos na Argentina e foi no início deste ano que, entre as empresas ESTUDIO MARTINEZ DE ALZAGA S.A., EXACTOR SRL., RECUPEROS & MANDATOS, RECSA ARGENTINA, ALQUEZAR, COLOMBO & GALVÁN - ACG LEGAL SERVICES, GSA COLLECTIONS ARGENTINA SA e V-N GLOBAL BPO, CCI SERVICIOS INTERNACIONALES, elaboramos um estatuto e iniciamos a documentação formal junto ao ISJ para o surgimento da ASARCOB.
Em todo este processo de start up contamos com a assistência e assessoramento da GEOC, associação que reúne as empresas de cobranças do Brasil.
Como presidente eleito neste primeiro mandato da AasrCob, quais as expectativas com relação a esta associação? Quais serão os objetivos gerais deste grupo de empresas?
As expectativas que compartilhamos com os colegas fundadores da ASARCOB é a de criar um espaço de representação das empresas de cobranças em toda a República Argentina. Nestes primeiros meses estamos trabalhando muito a fim de consolidar o grupo, também no que diz respeito à distribuição de tarefas internas, criando comissões de trabalho, etc. Para, em um segundo momento, trabalhar no que diz respeito à representação do setor e agregar valor aos associados.
Os objetivos gerais que projetamos são:
1. Hierarquizar a indústria da cobrança na Argentina
2. Relações institucionais com o governo buscando apoio para o desenvolvimento da nossa indústria (Créditos, Subsídios para capacitação, etc.)
3. Compartilhar e trocar boas práticas nos processos de cobranças
4. Incorporar RSE nas empresas de cobranças
5. Compartilhar uma vocação de Exportação de serviços
6. Criar uma mesa de diálogo, estudo e pesquisa das tendências em matéria de cobranças (Associados, Fornecedores, Clientes, Acadêmicos, etc.)
Qual é sua visão sobre o mercado atual de C&C na Argentina?
Após a crise 2001 a área de C&C das empresas e dos bancos se direcionaram à recuperar os créditos que tinham no mercado, ou seja, as empresas estavam mais preocupadas em cobrar que vender seus produtos e serviços.
Logo depois, por volta de 2004, o mercado interno foi se consolidando e começou a demandar muitos bens e serviços. Isto levou a maior parte das empresas, bancos e financeiras a focar, novamente, à venda de seus produtos e serviços, no qual, em 2006 e 2007 foram aumentando seus estoques de créditos e começaram a demandar cada vez mais trabalhos de cobranças.
Depois das experiências da crise de 2001, as empresas em geral e os bancos em particular, não crescem em estrutura própria, seu operacional de recuperação de créditos é terceirizado. Para este ano e para o próximo prevêem um aumento na tradicional terceirização da gestão extrajudicial.
Tem-se notado algum movimento desconfortável nos aumentos gerais da mora nas carteiras sem garantias, ainda que não alarmantes, depois da crise que teve o campo com o governo nacional, pelo aumento das retenções.
Como vê projetada a indústria de C&C na Argentina em médio e longo prazo?
É difícil fazer futurologia em geral, imaginem o mutável deste país, estimo e não quero pecar por arriscar que as condições macro-econômicas atuais da região e da Argentina são boas, existe superávit fiscal, um alto estoque de reservas, os commodities estão fortes e não existe sinais que possam baixar, etc
O problema é mais político e é preciso ver quais medidas o governo Nacional vai tomar para frear a inflação. Há outra conta pendente que é o investimento, que não aparece e a estrutura da oferta é menor à demanda cada vez mais incipiente.
É possível que os fatores que estão gerando inflação acabem comprometendo a capacidade de pagamento dos assalariados e que não demandem mais produtos e serviços, ou o que é pior, não possam pagar suas obrigações contraídas. O que poderia disparar um acréscimo na mora dos colaboradores de créditos ao consumo.
Você acredita que faz falta, na Argentina, regulamentações e medidas econômicas que favoreçam o crescimento desta indústria? Quais?
Nossa indústria está enrolada em nível mundial dentro do BPO (Business Process Outsourcing) ou KPO (Knowlodge Process Outsourcing), como é chamado por alguns que possuem expertise bastante particular. O BPO é extenso e reúne muitos tipos de terceirizações que vão desde processos legais, comerciais, cobranças, vendas, contábeis, marketing, até a Telemedicina. Em alguns países como ÍNDIA e IRLANDA são pilares de sua Estrutura Econômica e tem sido parte do segredo de seu sucesso em termo de crescimento e geração de mão de obra.
Particularmente, na Argentina, é difícil crescer já que a maioria de nossas empresas são pequenas e médias e nos custa muito o acesso ao crédito, fundamental para o desenvolvimento e crescimento de nossa indústria. Os bancos não estão preparados para emprestar às empresas de serviços, têm mais foco na produção onde colocam Leasing ou garantias em máquinas ou hipotecas em propriedades das fábricas.
A AsarCob foi fundada por oito empresas, têm planos de abrir as portas para outras da mesma atividade que desejam fazer parte do grupo?
Esta associação foi criada com a finalidade coletiva, solidária e ampla, o que nos leva necessariamente a incorporar novos sócios que estejam de acordo em compartilhar nossos objetivos gerais descritos anteriormente. Como te falei antes, neste momento estamos trabalhando internamente na parte formal e orgânica, em alguns meses vamos abrir a incorporação de novos sócios para que façam parte desta grande família.
E por último, qual o papel que deseja ocupar esta Associação dentro da atualidade econômica argentina?
Nosso objetivo é participar ativamente na discussão da agenda pública no que se refere ao desenvolvimento do crédito na economia Argentina e como um setor de geração de capital intensivo de mão de obra capaz de exportar processos, mão de obra e conhecimento a outros países. Contribuindo para a geração efetiva de divisas e colaborando com o superávit comercial.
Por Equipo editorial LATINCOB
Fonte: LATINCOB
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