
A crise nos afetou duramente. Como parte do sistema financeiro argentino, igual a todo o resto, a crise causou uma incalculada colisão com nossos clientes, que, depois do famoso ‘corralito' aos depósitos oferecidos pelo Governo Nacional atual, sentiram que eram os bancos que não correspondiam às expectativas. Na realidade era difícil esperar que nossos clientes nos enxergassem como mais uma vítima da hecatombe, que era o que na realidade nos acontecia.
Destaco este ponto, porque sempre sustento que poucas coisas devem ser piores para um banqueiro que defrontar seus clientes. E pior ainda quando a cultura Corporativa do BBVA Banco Francês prioriza e se sustenta no cliente, como nossa razão de ser.
Em minha humilde opinião, entre muitas outras, foi este o problema mais importante que atravessamos e devemos resolver durante a crise.
Feita esta exceção, o impacto econômico durante 2002 e os primeiros meses deste ano, foram duríssimos.
Não apenas para nosso Banco. O sistema operou na crise e até hoje, com uma ampla margem financeira negativa, determinada pela combinação dos seguintes fatores:
• A significativa descobertura das taxas gerada pela carteira de Empréstimos Garantidos;
• A baixa participação relativa de carteiras de empréstimos ao setor privado;
• O alto nível das taxas passivas e
• Os altos quebrantos e/ou provisões pela incobrabilidade.
Durante a crise argentina, que técnicas utilizou para prevenir o risco?
Dividiria sua resposta em 2 partes:
2.1) Em primeiro lugar devemos avaliar o impacto da crise em toda nossa carteira outstanding.
A partir disso, segmentar aqueles grupos que ofereciam mais resistência ao mesmo assunto daqueles que ofereciam maiores níveis de vulnerabilidade. Estabelecidos estes pontos, atuamos caso a caso com nossos devedores, tentando manter uma relação amistosa, diria de empática, nos situando nas conseqüências de fatores externos a eles e nas economias que estavam causando em suas empresas - sejam estas Companhias ou economias familiares - e buscar caminhos de saída possíveis. O menos traumático que o ambiente permitisse.
2.2) Como segunda resposta, cabe analisar não só o estoque, mas também o fluxo durante a crise. E digo isto, porque é possível destacar que no BBVA Banco Francês nunca deixamos de emprestar, de dar assistência a nossos clientes; apesar da estrepitosa queda inicial da liquidez que afetou a todo nosso sistema financeiro e a incerteza imperante. Nesta oportunidade, utilizamos não só as ferramentas tecnológicas que tínhamos desenvolvido no Banco durante os últimos anos, mas também, passamos a estabelecer, em nosso Corpo Diretivo, transmitindo, a partir daí, a toda nossa equipe qual era o nosso diagnóstico em meio ao desconcerto, quais coisas haviam mudado no país e como podíamos intermediar a partir daí conforme o contexto. A intuição, a calma, a experiência e o senso comum, foram os pilares de nossas melhores atitudes como equipe.
3) Acredita que o final da crise provocou uma queda significativa nas taxas de morosidade?
A normalização do país, sem dúvida, contribui para que os ativos dos Bancos sigam a mesma tendência.
De todas as formas, ainda há muito a ser feito. A estabilidade do tipo de mudança e a recomposição tarifária às empresas prestadoras de serviços, sem dúvida, lhe permitirá recompor seus balanços, visualizar um melhor futuro e reestruturar mais rapidamente seus passivos empresários a caminho da normalidade por todos desejada. Com relação ao sistema bancário para o varejo, o mesmo já está hoje no BBVA Banco Francês em níveis de freqüência conforme as melhores épocas. A atingir este objetivo ajudaram, em primeiro lugar, uma política de créditos sã, mas também. Porque não, a pesificação (conversão em pesos) dos créditos. Embora também não devemos esquecer, para ser justos, do alto desejo de pagamento demonstrado por nossos clientes, dado que, - não esquecemos-, tinham seus ingressos congelados-, mas de igual modo cumpriram majoritariamente com suas obrigações, para ser sincero, melhor ainda do previsto em semelhante crise.
4) Que ferramentas empregam em sua entidade para combater a morosidade?
Como te falei antes, no BBVA Banco Francês desenvolvemos nos últimos anos na Argentina, a melhor tecnologia em nível internacional para discriminar o risco: sistemas de scoring de última geração, scoratings, rating de empresas, utilização do credit bureau, processos de admissão eficientes e uma detalhada análise técnica das reais possibilidades do solicitante de um crédito. Neste novo contexto, constituem as melhores ferramentas para controlar e diminuir o impacto da morosidade em nossas carteiras. Hoje, podemos dizer com orgulho, e sem medo de errar , que soubemos driblar todos os problemas provocados pela crise e, sair vitoriosos, podendo mostrar atualmente uma das melhores performances de morosidade de uma Entidade de primeiro nível no sistema financeiro argentino.
5) No contexto desta importante mudança de paradigmas, os bureaus e scores continuam tendo utilidade?
Neste ponto pode haver distintas opiniões dependendo de onde estamos. Pessoalmente creio que a Argentina atravessou - e ainda atravessa - a pior crise econômica e social de toda sua história, e uma das piores que já sofreram os países capitalistas em tempos de paz. Portanto, a visão e análise sobre os efeitos da crise e suas conseqüências sobre os agentes econômicos tiveram as equipes Diretivas do Banco Francês produzindo um adequado diagnóstico, que acredito, ter sido determinante para tornar as decisões corretas que nos levaram a controlar os danos deste acontecimento.
Os scorings e bureaus têm melhor caimento em economias estáveis onde é possível pré-determinar, conhecer a história dos clientes e seus comportamentos; de maneira que possa estabelecer projeções de carteira para o futuro. Mas esta versatilidade se perde em parte, diante das mudanças econômicas e sociais profundas que esta crise produziu. De todas as formas, creio que agora devemos reconstruir estas ferramentas, adequando-as ao novo ambiente que nos envolve neste país. Confio que a criatividade, adaptabilidade e experiência que os gerentes argentinos possuem, nos conduzam a este ponto em pouco tempo.
6) Têm contrato com alguma empresa que lhes facilitem informações comerciais sobre seus clientes?
Sim, claro. Utilizamos os serviços das empresas que por prestigio, e reconhecida trajetória, no mercado, nos permitem ver como um cliente driblou a crise no passado e qual é sua situação atualmente. Mas o que ocorre é que o futuro que terá a empresa ou a economia familiar é uma visão que nós devemos ter.
7) De que maneira mudou a segmentação do cliente pré e pós convertibilidade?
Hoje no BBVA Banco Francês emprestamos na Argentina, contribuindo com o desenvolvimento e renascimento do país. Confiamos nele. Como já disse, nunca deixamos de fazê-lo, com critérios de enquadramento de nossas ações ao cliente. Como nunca o havíamos feito. Cada cliente é único e merece ser avaliado sob um conceito de "seu próprio valor". Assim estamos trabalhando.
8) Como afetará o crescimento da economia informal ao crédito?
Esta pergunta também divido em duas partes.
Hoje em dia é fato que a economia informal é importante para a Argentina. E também não é menos correto que no BBVA Banco Francês viemos trabalhando para enfrentar este desafio. Sim, tenho dúvidas sobre como a economia informal crescerá. Acredito que, tanto esta Administração como os Governos atuais deverão lutar para esclarecer essa economia escura, facilitando benefícios a aqueles que pagam impostos e combatendo com esmero a evasão.
Entendo que o Governo está atuando assim hoje. Por essa razão, a economia informal deveria, certamente, ir reduzindo, de maneira gradativa, até alcançar níveis mínimos, em prol de uma economia mais transparente onde o pagamento de impostos seja, não apenas uma obrigação legal, mas também uma obrigação moral para aqueles que compõem o quadro econômico da Argentina.
9) É otimista sobre o futuro do seu negócio?
Absolutamente. O país vai sair na frente e com o nosso negócio. O crédito continuará crescendo, a pessoa vai ganhando confiança e aprovando. O país tem tudo para crescer e o fará. Acredito que a discussão pode se centrar unicamente em se a Argentina vai crescer ou não.
Nosso negócio também o fará, simplesmente porque nosso crescimento como empresa que acredita e apóia o país, está intimamente relacionado com o sucesso de nosso governo, de nossas empresas e de nosso povo.
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