Por: Luciana Felletti, Gerente de Negócios, CMS Brasil
I2C: Como você avalia o mercado de crédito e cobrança no Brasil em 2009?
MVBF: No ano de 2009, o mercado de crédito e cobrança no Brasil está passando, a exemplo do que está ocorrendo no mundo, por uma série de dificuldades, exigindo um esforço diferenciado. Falando um pouco mais de crédito, de muito mais atenção e de muito mais controle, até porque no Brasil nos últimos anos, vivemos uma expansão nesse mercado. A partir de setembro de 2008, a crise passou a inspirar no crédito uma série de maiores cuidados que o mercado se adaptou rapidamente. No que temos observado, vemos que o mercado conseguiu se adaptar mais rapidamente com crédito. Para os próximos anos o grande desafio é a cobrança. Por quê? Nós estamos passando por uma crise conjuntural no mercado financeiro. E isto requer uma série de inovações e de atitudes diferentes no mundo de cobrança. Assim, o grande desafio não só para 2009, mas para os próximos anos, passa a ser a recuperação deste crédito que foi concedido num cenário totalmente diferente.
I2C: Em sua opinião, quais são as principais mudanças no sistema financeiro brasileiro geradas pela crise mundial econômica?
MVBF: Falando de mercado financeiro como um todo, a grande mudança é fazer uma gestão sobre o risco operacional com muito mais rigor do que era feito até então. Porque quando fazemos uma análise do que ocorreu; as regras existiram, porém ficou em questão se foram ou não cumpridas. Então, aqui no Brasil, a grande lição é que não basta que tenhamos as regras de risco de crédito e de risco de mercado estabelecidas, e sim um controle sobre este risco operacional, que é um controle do cumprimento dessas regras que deve ser muito mais efetivo do que o que ocorreu.
I2C: Quais são as oportunidades para novos negócios na concessão de crédito?
MVBF: Oportunidades sempre vão existir no mercado de crédito no Brasil, que não é maduro ainda, exceto em alguns setores. Acredito que ainda tenha espaço, mas pra um crédito muito mais consciente do que era feito até então. Até antes deste susto da crise, a forma de concessão de crédito que era usada pela maioria das instituições era simplesmente voltada para visão do consumo. Eu acredito que a partir de agora vai ocorrer um crédito mais estruturado, buscando sempre uma finalidade, e não o crédito pelo simples fato do consumo, mas sempre visando uma atividade fim.
Para futuro, o grande crescimento deve ser no setor imobiliário.
I2C: Conte-me em breves linhas sobre sua trajetória profissional.
MVBF: Eu comecei no mercado financeiro em 1990. Na época como estagiário de direito em banco, no setor de recuperação de crédito. A minha história foi construída em três instituições. Passei por todas as áreas de cobranças, recuperação de crédito, formalização de operações, crédito, passando por análise de crédito; estratégias e políticas de crédito e cobrança, até chegar aqui no Itaú onde estou há cinco anos. Construí minha carreira basicamente no ciclo de crédito e cobrança.
I2C: Qual é a receita para tornar-se um profissional de sucesso e referência na área de crédito e cobrança?
MVBF: Muito trabalho! São áreas que exigem uma dedicação, não que outras áreas não exijam. Eu falo sempre pras pessoas que trabalham comigo: a primeira coisa é você se apaixonar. Se você se apaixonar pela área de crédito fica mais fácil. Por quê? Existe muito trabalho no sentido de muita transpiração, principalmente em cobrança, uma área que exige uma dedicação de execução muito grande. O grande segredo não é só quando você está estruturando uma política e montando uma estratégia, mas também nos processos que você estabelece na execução destas estratégias e destas políticas. Depois, ter uma capacidade muito grande de gerenciar processos, também ter a capacidade de montar estratégias e planos de ação com acompanhamento muito estreito. Acho que fazendo isto bem feito todo profissional vai ser bem sucedido. 
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