Quinta 29 Julho 2010
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Líderes da Industria

ENTREVISTA COM PEDRO CEBALLOS,
GERENTE DE RISCOS BANCO RIO Argentina - GRUPO SANTANDER CENTRAL HISPANO

Entrevista: Pedro Ceballos
Cargo: Gerente de Risco
Empresa: Banco Río
(2005)


Foto: Pedro Ceballos e Martín I. Palladino, advogado diretor da CMS - Madrid

Como a crise afetou sua entidade?
Os efeitos foram diversos. O mais importante foi a incerteza, tanto dos credores como dos devedores. Por exemplo, os preços da dívida a ser cobrada ou a ser paga pelas diversas mudanças regulatórias e normativas, em alguns casos com sistemas de ajuste. Com todas estas mudanças o que complicou para as entidades é que quando recebiam pagamentos de seus clientes, tinham de dar recibos. Isto gerou um primeiro impacto, que operou negativamente nos índices de morosidade. Houve uns primeiros meses de crise nos quais os indicadores de morosidade subiram muito e a posteriori um dos aspectos que pudemos observar é que rapidamente estes indicadores voltaram à normalidade.
Definitivamente no segundo semestre de 2002 já contávamos com indicadores de recuperação muito parecidos aos de pré-crise.

- No contexto desta importante mudança de paradigmas, os bureaus e scores continuam tendo utilidade?
Sempre têm utilidade. São ferramentas para a tomada de decisões no ciclo de créditos que são de grande utilidade. É importante ter em conta quais foram os efeitos da crise para cada um destes indicadores. No caso dos bureaus, o fato de que houve tanta incerteza gerou, da parte dos órgãos reguladores, a emissão de normas vinculadas a como os bureaus deviam fazer com os atrasos de clientes. Este tipo de medida foi tomada em geral, o qual significou um perdão de alguns indicadores de atraso para devedores que não haviam pago. Tudo isso dava uma situação de contexto negativa, já que quando eram avaliadas as trajetórias de pagamento nos clientes, nos mostravam períodos com comportamento incerto do cliente. Este tipo de efeitos vão se diluindo com o passar do tempo, agora que já temos a trajetória de pagamentos recuperada e seus registros nos bureaus. Creio que, muito rapidamente, a qualidade da informação vai nos permitir tomar decisões pré-crise. Com relação aos scores, percebe-se que há mudanças na população, no qual uma medida prudente em todos os casos é a de efetuar processos de validação e ajuste dos modelos em vigência.

- Como afetará o crescimento da economia informal ao crédito?
É considerada como verdade o crescimento da economia informal, e para mim não é assim. De fato os mesmos consumidores ajudam a reduzi-la, fruto de determinado tipo de medidas que devem verificar com reduções impositivas a compras com cartões de débito e crédito e a importantes descontos para estes meios de pagamento. Por esse motivo, os consumidores solicitam que as operações sejam executadas através destes meios de pagamento. Os níveis de crescimento do faturamento em meios de pagamento transacionais são elevados e dado que os mesmos são registrados, passam para a economia foral. Por isso, não compartilho da idéia de um crescimento descomedido da economia informal, muito pelo contrário, penso que a mesma se mantém no nível de pré-crise.

-Como viu a concessão de créditos afetada pela taxa de morosidade?
Quando a crise foi prevista, a primeira medida foi a de restringir a oferta creditícia. Houve períodos que a oferta creditícia esteve totalmente fechada e logo a oferta foi direcionada a essas carteiras que a experiência nos mostrava com melhor comportamento de pagamentos. Com o qual, a oferta se foi adequando muito rapidamente à situação que os mercados iam mostrando.

- Acredita que agora é mais fácil de controlar o não-pagamento?
A cada dia, contamos com ferramentas mais sofisticadas e adequadas, isto faz com que o controle dos não-pagamentos seja mais produtivo e eficaz. Também devo destacar que nestes últimos tempos aprendemos muito em matéria de prevenção, especialmente durante 2002. O fato de haver executado ações preventivas em muitos casos nos deu uma série de ferramentas que em tempos de crescimento nos permite também um melhor controle do não-pagamento.

- Que ferramentas são utilizadas em sua entidade para evitar a morosidade?
As habituais no gerenciamento do risco de particulares. Temos ferramentas de scoring de admissão, com distintos tipos de modelo que vão desde os empíricos puros até os semi-empíricos e os de desenvolvimento regional. A complexidade de uma entidade da magnitude do BANCO RIO carteiras sofisticadas para afrontar as diversas carteiras, combinado com ferramentas de comportamento para as decisões em etapa de administração.Temos um enfoque de clientes pelo tipo de ofertas que fazemos, temos isto tanto na admissão como na administração e seguimento da carteira. Também utilizamos este tipo de ferramentas na etapa de recuperações, onde contamos com sistemas de cobrança que apóiam a cobrança telefônica e com a utilização de ferramentas que priorizam as chamadas.

- De que maneira mudaram a segmentação de clientes pré e pós convertibilidade?
Houve um crescimento dos setores de menores entradas e um declínio dos setores de maiores entradas. Isto faz com que os clientes mais desejáveis, do ponto de vista do tipo de oferta, que são os que estão nos segmentos chamados ABC1, sejam menos e tenham um alto nível de bancarização, Com isso, é muito difícil crescer no segmento e teremos que aprender a trabalhar com os de menores recursos..

-Acredita que a recuperação na Argentina vai continuar sua tendência em alta (ou seja, que vai continuar avançando até o bem-estar)?
É o que estão mostrando todas as análises do research, tanto dos que podem ser identificados como próximos da linha de governo, como aqueles que foram críticos das linhas governamentais. De fato está se re-estimando mês a mês o crescimento do PIB, tanto de 2003 como de 2004 com tendência crescente. A análise, já com os números de cada mês fechado, incrementa a projeção para os meses posteriores. Em 2004 está se estimando um crescimento de 4%. Com estas projeções, penso que nos próximos 2 anos a tendência ao crescimento se mantenha.

-Se nota, por meio de sua entidade, a recuperação para as empresas nacionais?Embora não seja minha especialidade de empresas, há um par de características que são observadas a partir da recuperação da oferta creditícia. Uma é que a demanda de créditos das empresas é muito baixa, ou seja, as linhas são pouco utilizadas. Entendo que o motivo principal é que as empresas profissionalizaram bastante sua desenvoltura dos fluxos de caixa, isto faz com que estejam operando com otimização do financiamento de fornecedores e de outros canais. Não notamos que aja uma demanda crescente neste aspecto.

Curriculum Vitae:
Trabalha no Banco rio desde 1995, onde começou assessorando em áreas de políticas e créditos para bancos de pessoas. Atualmente está à frente da Gerência de Riscos particulares coordenando uma carteira de aproximadamente 300 mil clientes com diferentes tipos de produtos particulares. Desde produtos de consumo, passando por hipotecas e empréstimos para autos ou pessoais.
Gerente de Risco particulares do Banco Rio, possui atividade com a direção de riscos da América Latina do Banco que está localizado em Madrid. Atividades de consultoria e relevamento em entidades do México, Brasil, Venezuela entre outros países.
Com colegas na criação de padrões de políticas e capacitação de quadros a nível regional.

Resumo no Banco Rio: Sub-geretne do Banco Noar em Tucumán, cidade natal, coordenando a administração em Recursos Humanos. Banco de 300 pessoas e 12 sucursais.
Anteriormente: 7 anos no Citibank, começou como auditor de créditos e com o cargo de vice-presidente de política creditícia até 1993.

Carreira: Auditoria e Consultoria em um estudo, durante 2 anos. Anteriormente em Tucumán, trabalhou no principal estudo de auditoria. Graduado como Contador Público na Universidade de Tucumán e pós-graduado em Administração Estratégica e Máster na UADE.

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