I2CREDIT Nº 9
Espanha: A venda e a cobrança: 2 irmãs siamesas
Por que a venda e a cobrança são irmãs siamesas?
Lembremos o que são irmãs siamesas:
Siameses são gêmeos que nascem com os corpos unidos, não podendo viver um sem o outro. Seu destino é colaborar estreitamente durante toda a sua existência para poder sobreviver.
Por: Pere J. Brachfield Especialista em Inadimplência, diretor do Centro de Estudos de Inadimplência
Muitas vezes, empresas que alcançam sucesso na área comercial e apresentam bom nÃvel de vendas, suspendem seus pagamentos por falta de liquidez, ou ainda pior, cessam suas atividades empresariais por falência. A explicação deste inesperado fracasso empresarial repousa no fato destas empresas concentraram seus esforços em vender, negligenciando a cobrança.
Estas empresas não souberam (ou ainda pior, não quiseram) cobrar corretamente seus clientes, o que provocou sérios problemas de liquidez, ocasionando assim dificuldades para financiar seu realizável e, por último, criando uma situação de insolvência.
Basicamente a inadimplência dos clientes pode levar à bancarrota, empresas que triunfaram no âmbito comercial. Um estudo da CE revelou que uma em cada quatro empresas da EU decreta falência por inadimplência (com freqüência deliberada) de seus clientes.
Por isso, o objetivo de toda empresa é acelerar ao máximo a cobrança e para tanto devem ser adotados procedimentos que otimizem os fluxos de cobrança, aumentando a liquidez e melhorando a tesouraria; uma boa gestão de cobrança contribui para reduzir as necessidades de financiamento de recursos investidos em clientes, assim como de gastos financeiros.
Sendo assim, a rapidez na cobrança de notas fiscais é essencial para a competitividade das empresas. Qualquer atraso na hora de cobrar aumenta o descompasso temporal entre os fluxos de saÃda de caixa e entrada, o que ocasiona uma notável deterioração da tesouraria das empresas, aumentando seus gastos com juros, ou seja, seus custos financeiros.
As empresas deveriam preocupar-se em cobrar pontualmente todas as vendas realizadas, pois cada dia de atraso no pagamento de uma nota vencida representa custo financeiro para a empresa credora; portanto, a missão da equipe de cobrança é muito importante para os resultados da empresa.
Não se pode esquecer que um dos fatores-chave para o bom resultado das empresas, é a capacidade de gerir a tesouraria, capacidade esta, proporcional à eficácia na gestão da liquidez.
Deve-se considerar que um dos princÃpios mais universais da boa gestão financeira baseia se no axioma de que para calcular o valor de uma empresa é melhor fazê-lo avaliando os fluxos da tesouraria que calculando os benefÃcios contáveis. Portanto, para medir a riqueza de uma empresa, a melhor maneira de fazê lo é através do fluxo de caixa e não do benefÃcio contável.
A empresa recebe os fluxos da tesouraria, podendo reaplicá-los na própria empresa, no entanto os benefÃcios são contabilizados quando entram em caixa, e não quando o dinheiro está realmente disponÃvel para a empresa.
Portanto é melhor avaliar uma empresa pelas entradas de tesouraria (conceito dinâmico) do que pelo benefÃcio contável (conceito estático) que proporciona o negócio. Além disso, o benefÃcio gerado é uma grandeza mais manipulável que o fluxo de caixa.
Outra regra importante nas finanças é o princÃpio do valor temporário do dinheiro. Segundo esta regra, o valor do dinheiro diminui com o passar do tempo, portanto um Euro recebido hoje, vale mais do que um Euro recebido futuramente. Por um lado, este princÃpio está sustentado pela rentabilidade do dinheiro recebido hoje – por exemplo, em forma de juros se investimos adequadamente o capital – portanto se não recebemos o dinheiro estaremos sacrificando o potencial do benefÃcio deste Euro. Por outro lado, há o fenômeno da inflação, que reduz o valor das unidades monetárias – a unidade monetária recebida no futuro valerá do que mesma unidade recebida hoje. Conseqüentemente, este conceito de valor temporário do dinheiro é fundamental na boa gestão financeira, devendo estimular as empresas a receberem o mais rápido possÃvel.
Toda empresa precisa de liquidez, como o automóvel precisa de combustÃvel para manter o motor em funcionamento e se movimentar. Assim, as contas incobráveis são como um vazamento de combustÃvel que prejudica a velocidade do automóvel, devendo ser eliminadas rapidamente para evitar que o motor fique completamente sem combustÃvel e precise parar.
Por este motivo é necessário que as ações de cobrança funcionem bem, injetando constantemente e de forma abundante o dinheiro na tesouraria, para que a empresa obtenha maior e contÃnua liquidez para funcionar bem. Quando uma empresa não consegue cobrar pontualmente suas notas fiscais (por causa da inadimplência de seus clientes) não pode cumprir suas próprias obrigações de pagamentos e a tesouraria entra em crise.
Além disso, quando aumentam as necessidades da tesouraria, provocadas por prazos de pagamento prolongados, as empresas devem recorrer a terceiros para obter os recursos financeiros necessários. Os serviços financeiros de factoring, mesmo oferecendo vantagens para as empresas quanto à sua gestão financeira e obtenção de liquidez, também acarretam um custo financeiro elevado, além deste recurso não poder ser usado em todos os negócios.
Outro aspecto é que em muitas ocasiões, os créditos incobráveis provocam perdas financeiras tão importantes para a empresa, que sua solvência no curto prazo fica afetada. E na pior das hipóteses, os devedores falidos podem levar a companhia a parar definitivamente suas atividades.
Uma gestão ativa da cobrança permite que as empresas recebam constante e abundante fluxo de dinheiro que pode ser investido na empresa, não precisando recorrer a financiamentos externos. Um abundante fluxo de dinheiro garante boa saúde financeira para as empresas, evitando recorrer a fontes de financiamento temporárias e permitindo uma economia considerável com juros financeiros.
A época em que a palavra era suficiente para selar as operações comerciais e quando os maus pagadores eram apontados com o dedo e ficavam à margem da atividade mercantil já faz parte da história. O mundo dos negócios não castiga as más práticas mercantis, e hoje em dia o não cumprimento intencional de compromissos com fornecedores é muita vezes considerado como boa gestão empresarial. Atualmente, o mundo dos negócios convive com a prática de hábitos de pagamento nefastos que podem significar sérios riscos para empresas fornecedoras de bens e serviços.
Devemos salientar que a deterioração das práticas de pagamento não apenas se deve a fatores conjunturais, mas também reflete uma evolução estrutural das relações entre as empresas. Portanto, não se deve imputar, unicamente, o fenômeno da inadimplência à evolução dos ciclos econômicos, mas também às causas estruturais.
Sem dúvida, a inadimplência pode aumentar devido a causas conjunturais, como também pela desaceleração da atividade econômica ou o resfriamento da economia, pois em perÃodos difÃceis, quando há aumento de custos, as empresas recorrem ao prolongamento dos prazos de pagamento como substitutivo a créditos bancários. É verdade também que em épocas de crise, os Ãndices de inadimplência aumentam e ocorrem concordatas em cadeia, pois os problemas de pagamento contagiam outras empresas.
Além disso, devemos tomar em conta outras causas estruturais como a atitude de alguns atores econômicos (como é o caso das grandes corporações empresariais, as industriais de grande porte, redes de distribuição, o setor sanitário e as administrações públicas) de prolongarem deliberadamente os prazos de pagamento – isto é, forçam o fornecedor a conceder prazos mais longos – aproveitando sua posição dominante em detrimento das empresas menores.
Outra causa estrutural é a cultura da inadimplência que se desenvolveu nos últimos anos em muitas áreas, até que pagar com atraso tornou se um comportamento econômico generalizado. Muitas empresas, que não podem ser qualificadas como inadimplentes, tardam intencionalmente a pagar seus fornecedores a fim de obter benefÃcios atÃpicos graças ao float comercial conseguido com o fluxo de dinheiro retido. Estas empresas trabalham com o dinheiro de muitos de seus fornecedores – principalmente quando são empresas de pequeno porte – conseguindo fazer caixa à custa dos fornecedores.
Portanto, a prática de postergar os pagamentos é, basicamente, fruto de uma cultura empresarial que se desenvolveu não só devido a fatores econômicos, mas também pelas más práticas de pagamento ocorridas nas relações mercantis.
Para combater a inadimplência empresarial, a idéia principal é dispor de um bom setor de cobrança responsável pelo controle das contas a cobrar e por acelerar o processo de entrada de dinheiro na tesouraria.
Deve se, no entanto, considerar que a gestão de cobrança não é uma atividade de fácil realização, ela requer tempo e recursos.
Fazendo uma comparação, podemos dizer que a gestão de cobrança é como a ordenha de vacas. As contas dos clientes são como as tetas da vaca, se o peão se limita a por um recipiente embaixo das tetas da vaca e esperar que o leite encha o recipiente sem mover um único dedo, com certeza não conseguirá nenhum leite. Mas se o peão, todos os dias, ordenhar as vacas, poderá obter o leite que é a essência de seu negócio. É claro que para conseguir isto deverá dedicar diariamente, tempo e esforço suficientes para a atividade. A gestão de cobrança se baseia no mesmo princÃpio: não esperar passivamente que o cliente realize o pagamento, e sim ordenhar ativamente as contas a cobrar para extrair delas o lÃquido precioso.
Também devemos considerar que os saldos de clientes não são como os bons vinhos de guarda, pois ao deixá-los repousar durante certo tempo nas barricas, consegue se aumentar a qualidade do vinho, obtendo excelentes vinhos reserva, fazendo seu valor comercial aumentar; ao contrário, as notas fiscais vencidas são como iogurtes clássicos (não pasteurizados) com ciclo de vida muito curto e se não forem cobradas rapidamente estragam para sempre.
Quanto à cobrança de incobráveis, devemos tomar em conta que, em geral, a cobrança de pagamentos de devedores, é considerada uma das tarefas mais duras dentro de uma empresa. Para muita gente, cobrar uma dÃvida costuma provocar uma sensação de incômodo (em geral mais para quem cobra do que para o devedor).
Nos paÃses Ibero-americanos, por motivos culturais, persiste ainda certo mal estar na hora de realizar a cobrança de uma nota fiscal, já que parece indelicado ou deselegante falar de questões de dinheiro e muito menos exigir o pagamento de uma dÃvida.
Ao contrário do que acontece, por exemplo, nos paÃses anglo-saxões, com forte cultura de cobrança, e onde reclamar uma dÃvida é algo tão natural quanto oferecer um novo produto aos clientes. Nos paÃses Ibero-americanos ainda não existe uma verdadeira cultura empresarial de cobrança.
A ausência de uma cultura de cobrança é, sem dúvida, um fator diferencial entre as nações Ibero-americanas e o resto do mundo; os empresários não têm nenhuma pressa em cumprir com suas obrigações de pagamento, pois não existe pressão social (nem legal) que os obrigue a serem pontuais no pagamento de suas dÃvidas (ou seja, não há mal em atrasar pagamentos).
Por outro lado, os fornecedores dos paÃses Ibero-americanos são demasiado tolerantes com os devedores, os empregados das empresas gostam mais de vender e fazer social junto aos clientes do que falar em condições de pagamento e exigir o pagamento das notas fiscais em dia.
Nos paÃses Ibero-americanos existe uma consciência coletiva de resignação à cobrança tardia, de modo que o sentimento dominante nas empresas espanholas é que cobrar tarde ou cobrar mal, é algo habitual e não se pode fazer nada a respeito.
Conseqüentemente, os executivos ibero-americanos, por uma questão cultural, são reticentes na hora de cobrar notas pendentes. Este pudor é parte da cultura hispânica, pois a tradição considera de mau gosto tratar abertamente questões pecuniárias, por isto, empresas fornecedoras sentem vergonha quando precisam lembrar aos clientes o pagamento das dÃvidas vencidas.
Assim como o temor de experimentar uma rejeição por parte do cliente, freia as iniciativas de cobrança dos credores.
Os executivos hispânicos são excelentes vendedores de seus produtos, tanto no mercado nacional como internacional, mas são cobradores medÃocres de seus créditos comerciais, pois gostam de vender e fazer negócios, mas não gostam de falar de dinheiro nem de cobrar. Portanto, nos paÃses ibero-americanos ainda representa incômodo cobrar os devedores, devido a um sentimento de vergonha mesclado com culpa.
Estas condicionantes tão propÃcias aos inadimplentes, acabam levando a situações perversamente absurdas, nas quais o devedor se faz de ofendido quando o legÃtimo credor reclama o pagamento de uma nota fiscal vencida, e o representante do credor acaba pedindo desculpas ao inadimplente pelo incômodo e por ter duvidado de sua honradez (logicamente sem conseguir receber um centavo) o que não deixa de ser uma circunstância estranhamente surrealista e inconcebÃvel em outros paÃses.
Esta falta de cultura empresarial relacionada à cobrança não existe na Europa não ibérica, nos EUA e Canadá, pois nestes paÃses quando se faz negócio, definem se de forma muito clara as condições de pagamento, além do fato dos homens de negócios europeus e americanos serem muito rigorosos quanto ao cumprimento dos prazos de pagamento. As empresas no norte da Europa e nos EUA têm tolerância zero quanto aos devedores e no dia seguinte ao vencimento já reclamam o pagamento das notas pendentes (acrescidas dos devidos juros de mora).
Muitos pensam erroneamente que reclamar dÃvidas é sinônimo de confronto, ou seja, a imagem de um enfrentamento com o devedor vem instantaneamente à mente do empregado inexperiente encarregado de cobrar uma nota fiscal pendente.
O medo da negativa e de um possÃvel confronto, faz com que o credor demore desnecessariamente na ação da cobrança. Por este motivo, muitas empresas esperam dias e até semanas para realizar a cobrança, temendo um enfrentamento com o devedor. Conseqüentemente, evita se reclamar notas fiscais pendentes para poupar se de uma situação desagradável. Isto faz da cobrança a função menos popular de uma empresa, pois para muitos cobrar significa ter que enfrentar, discutir, gritar, ameaçar e brigar com os devedores.
Entretanto, os profissionais da cobrança de inadimplentes sabem que a maioria das pessoas acaba pagando se for adequadamente solicitada a cumprir suas obrigações. Por conseguinte, solicitar o pagamento de uma dÃvida não tem porque ser visto como um ato de confronto, mas sim como prática normal no mundo dos negócios.
Podemos afirmar que com métodos de cobrança normais e comportamento natural pode se cobrar 95% das dÃvidas.
A recuperação das pendências também não requer estratégias complicadas ou planos de ação complexos para cobrar devedores. Em vez de empreender ações intrincadas, o melhor caminho para recuperar as pendências é dirigir se diretamente ao devedor e pedir lhe que pague. Na maioria das vezes, consegue se efetivar a cobrança através de uma negociação com o inadimplente e de um compromisso de pagamento.
Ultimas Notas
I2CREDIT Nº 9
A Assembléia Nacional sancionou a Lei de Cartões de Crédito, Débito, Pré pagos e demais cartões de Financiamento ou Pagamento Eletrônico.
Esta lei havia sido sancionada em primeira instância, mas o Conselho Ministerial resolveu devolvê la ao Poder Legislativo com uma série de observações.
O Parlamento aceitou as propostas de mudanças feitas pelo Executivo aos artigos 2, 27, 58 e 59, recusando outros argumentos de ordem técnica, financeira e jurÃdica.
Por: Fonte: www.eluniversal.com
...E também estão entre os que mais financiam compras, usando também o cartão para pagar cinema e restaurantes, conforme estudo realizado pelo LatinPanel em 16 capitais da região.
Existem diferenças sociais, culturais e econômicas notórias entre os consumidores em Santiago e nas principais capitais da América Latina. É o que mostra o último estudo Consumer Watch realizado pelo LatinPanel que englobou as 16 principais cidades da região (Santiago, La Paz, Buenos Aires, Caracas, Bogotá, São Paulo, Rio de Janeiro, Quito, Lima, Cidade da Guatemala, Tegucigalpa, San José, Manágua, Cidade do Panamá, Cidade do México e San Salvador) e contou com uma amostra de 9 mil donas de casas.
Por: Fonte: Diario "La Segunda"
Segundo pesquisas realizadas com diferentes câmaras de comércio, quanto às festas de 2004, baseadas no maior consumo e no aumento de crédito.
Este Natal promete ser mais doce que o anterior para o bolso dos comerciantes. É que segundo um levantamento entre as principais redes de varejo, esperam se este ano vendas 40% superiores a dezembro 2004.
Por: Fonte: www.infobae.com
A recuperação econômica elevou o número de cartões emitidos para 12,2 milhões. A penetração dos cartões é superior à do Brasil e México, segundo nota da Infobae Diário.
Por: Andrea Sambuccetti, Infobae Diario
With recent bankruptcy reform stipulating that consumers must receive credit counseling prior to filing, counselors - as well as creditors - must prepare to handle an influx of cases.
For years, credit counseling agencies have been an excellent solution for consumers to turn to as an alternative to bankruptcy or simply for assistance in managing their finances. The counseling industry has seen tremendous growth over the last decade, but today faces many challenges of its own and is in need of new approaches of conducting business in order to remain a viable solution for consumers in the future.
Por: Mike Rosenthal – publicado en www.collectionindustry.com