I2CREDIT Nº 10
Estruturação de um departamento de riscos
São vários os aspectos a serem analisados pela diretoria de uma instituição financeira para criar um departamento, área ou unidade de controle e gestão de riscos.
Um deles refere se ao nível institucional no qual operará. Nas instituições pertencentes a um grupo deve se definir se a unidade de riscos (ou seja qual for o nome) operará em escala corporativa ou em cada departamento da corporação.
Por: Dr. Jorge Ambram Presidente executivo Instituto Latino-Americano de Riscos, S.A. Costa Rica.
Mostra a experiência que as unidades de gestão corporativa exigem um alto nível de empowerment dos funcionários que as compõem. Isto implica, por sua vez, a preexistência de uma forte cultura de riscos entre os membros das respectivas diretorias corporativas, de forma que estejam comprometidos com uma administração corporativa feita sob o enfoque de riscos e especialmente estimule um investimento aceitável em equipamento e recursos humanos para enfrentar o desafio de realizar uma gestão em escala global.
Outro problema a ser resolvido quando da estruturação de uma unidade de riscos, é a sua localização geográfica dentro da instituição. Existem pelo menos duas alternativas de inserção no organograma funcional para uma unidade de riscos: ficar ao lado (staff) da gerência geral ou abaixo dela. Seria um grande erro fazer a unidade de riscos depender de uma gerência financeira. O critério para evitar conflitos de interesse deve ser claro: quem administra riscos não pode corrê los, ou seja, os funcionários da unidade não podem participar, por exemplo, dos processos de concessão de crédito, de investimento ou de captação de fundos. Este aspecto que parece trivial, no entanto muitas instituições mostram organogramas funcionais pouco flexíveis ou simplesmente não dispõe de pessoal suficiente para eliminar riscos.
Quanto aos tipos de riscos acarretados pela unidade, deve se definir quais deles serão objeto de processamento. A experiência mostra que a maioria das instituições prefere iniciar o processo com a gestão de riscos de mercado (de taxa, de câmbio, de preço), já que as respectivas normas vigentes costumam referir se, em primeiro lugar, a este risco em particular. Em segundo lugar, costuma se incorporar a gestão de risco de crédito para finalmente desenvolver o risco operacional. Seja qual for o tratamento dado aos diversos riscos, seria recomendável que a mesma equipe o fizesse, já que os modelos aplicáveis na medição são diversos, exigindo dos operadores diferentes habilidades, especialmente no que se refere a riscos operacionais.
Outro ponto significativo refere se aos comitês de riscos. São vários os aspectos a serem considerados na hora de estruturar esta função, como decidir se o comitê de riscos é integrado (tratando todos os riscos) ou se haverá vários comitês, um para cada risco. Mais importante no entanto ainda, é definir se as decisões deste departamento são vinculantes ou não, isto é, se as decisões tomadas no seio destes comitês são de cumprimento obrigatório na instituição ou apenas tem caráter de recomendação para a gerência geral ou a diretoria. Cada instituição, de acordo com sua natureza, terá que resolver este aspecto, que costuma tornar se um verdadeiro impasse na gestão.
Também pesa a decisão sobre o tipo de modelo a ser utilizado para medir riscos. Sem dúvida, a técnica predominante e recomendável é utilizar os modelos VAR (valor em risco ou máxima perda esperada), especialmente na área de riscos de mercado (de taxa, de câmbio e de preço), extensíveis ao tratamento de riscos de crédito (CAR, sigla em inglês de credit-at-risk) e operacional (Operacional VAR). No obstante, em uma primeira fase de desenvolvimento, os riscos de mercado como o de taxa podem ser processados mediante modelos de duração e os riscos de câmbio com os modelos de posição líquida; o risco de preço também pode ser resolvido pelo uso de matrizes de variação-covariação.
Finalmente, mas não menos importante, vem a solução informática a ser utilizada para o processamento de riscos. A experiência nos mercados emergentes revela que os maiores sucessos foram obtidos pelas instituições que adotaram, em uma primeira etapa, soluções informáticas de desenvolvimento em VisualBasic Excel para criar indicadores de riscos. Trata se de uma alternativa de mais baixo custo do que a implementação de desenvolvimentos internos ou a compra de módulos de alta complexidade que capturam dados de um escritório central para reprocessá los. Esta solução simples e eficiente, é a solução correta quando as normas vigentes referentes a riscos no mercado não são suficientemente consistentes para que as instituições financeiras se aventurem a adquirir sistemas de alto custo que não garantem resultados melhores.
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I2CREDIT Nº 10
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