I2CREDIT Nº 29
Viabilidade da América latina depende de crédito aos pobres, segundo estudo
Rio de Janeiro, 19 jun (EFE) – A viabilidade econômica da América Latina depende do acesso ao crédito por parte da população mais pobre da região, segundo um estudo da Universidade de Loughborough (Reino Unido) apresentado hoje no Rio de Janeiro.
Por: Notícias EFE
O estudo, encomendado e apresentado pela MasterCard, destaca a importância que terá o crédito para os pobres no crescimento da América Latina depois de analisar o atual acesso ao financiamento e os hábitos de consumo da população de baixa renda nas sete maiores cidades da região (Bogotá, Buenos Aires, Caracas, Cidaed de México, São Paulo, Rio de Janeiro e Santiago).
"O acesso do segmento de baixa renda ao crédito e a outros tipos de serviços financeiros é vital não apenas para facilitar a compra de bens de consumo, mas também a viabilidade econômica da região", disse à Efe o especialista em micro crédito Jon Cloke, um dos autores do estudo.
"Vivemos em um momento histórico interessante na América Latina. A maior estabilidade econômica e política que a região vem experimentando aumentou o poder de compra das classes D e E (as de menor renda), que passaram a ter uma posição de destaque na economia destes países", acrescentou.
De acordo com Cloke, a diminuição do desemprego e o aumento da renda permitiram à população mais pobre da América Latina acessar um consumo do qual antes estava marginalizada.
O aumento do consumo das famílias a taxas superiores a 5% anual é o que impulsiona o crescimento de economias como a do Brasil nos últimos anos.
Mas o aumento desse consumo depende agora de ampliar o crédito às classes menos favorecidas, atualmente fora dos sistemas financeiros.
Segundo dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento, (BID), citados no informe, em 2006 apenas 14,5% dos chefes de famílias pobres têm conta bancária e somente 3,3% têm acesso a crédito.
O estudo constatou grandes diferenças nas cidades analisadas. Enquanto apenas 50% da população da Cidade do México têm acesso a serviços bancários, em Santiago, no Chile, o nível é comparável ao de cidades européias.
Graças à estabilidade econômica e ao aumento da renda, o número de cartões de crédito nas mãos dos brasileiros saltou de 35 milhões em 2001 para 93 milhões em 2007, um aumento de 165%.
Mais que do crédito pessoal, porém, a viabilidade da economia latino-americana depende do crédito às micro e pequenas empresas, algumas das quais na informalidade e que são responsáveis por cerca de 40% dos empregos na região.
De acordo com o estudo, 92% destas empresas enfrentam barreiras para ter acesso ao crédito, seja por sua situação irregular ou pelas exigências do sistema bancário.
O informe também cita diferentes estudos, segundo os quais, o risco de crédito aos mais pobres em todo o mundo é similar ao de qualquer outro segmento.
"A taxa de pagamento dos créditos para pobres na América Latina supera 90%", segundo Cloke.
O investidor garante que uma das principias barreiras ao crédito são as elevadas taxas de juros, mas agrega que os tipos tenderão a cair à medida que aumentem as operações e se formalize o mercado de créditos.
Nesse sentido, alertou que os juros cobrados por prestamistas informais chegam à agiotagem e que os supermercados e grandes empresas comerciais, atualmente principais responsáveis pelo crédito aos pobres na América Latina, vieram reduzindo suas taxas gradativamente.
"O estudo nos permite ter uma visão mais clara de como o acesso ao crédito no segmento de baixa renda é fundamental para incentivar o crescimento da economia nos países em desenvolvimento, seja por crédito pessoal ou às micro empresas', concluiu o vice-presidente de produtos da MasterCard para a América Latina, Max Chion.
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