Diante do aumento das faturas não pagas, as empresas espanholas aceleram a cessão destes clientes a empresas de recuperação para liberar seu balanço e obter algumas entradas de cara às contas de fim de ano.
Transações
Estas compras e vendas de dívidas se orquestram cada vez mais de forma profissional, com uma empresa de intermediação que monitora o processo de leilão entre os potenciais interessados, afirma José Antonio Olavarrieta, gerente sênior e responsável desta unidade de negócio da referida empresa. "Se trata de um processo similar ao de compra e venda de uma companhia entre um grupo de candidatos", sustenta Olavarrieta.
Entre as empresas de recuperação com mais presença na Espanha estão a espanhola Gescobro, que tem participação da britânica Cabot Financial; a Reintegra, de propriedade da First Credit - nas mãos do fundo de capital de risco Bridgepoint, a alemã GFKL, que adquiriu a Multigestión Iberia; a Link Financial, do Reino Unido; a norueguesa Aktiv Kapital, entre outras.
No ano passado, as autoridades espanholas venderam carteiras de não pagos por 3,2 bilhões de euros, apesar de não existirem estatísticas oficiais sobre esses tipos de transações. A maioria se refere a empréstimos bancários ao consumidor e relacionados a cartões de crédito.
A previsão para este ano é que estas cifras sejam maiores pelo surgimento da morosidade hipotecária, relacionada com o elevado endividamento das famílias e o aumento do desemprego.
Apesar do sigilo das empresas de reconhecer este tipo operações, "praticamente não existe nenhuma empresa de telecomunicações importante na Espanha ou de energia que não tenha feito uma operação deste tipo com seus recibos não pagos", reconhece uma destas empresas especializadas.
Usuários recentes
"Antes, as empresas temiam um risco de reputação ou uma possível violação da Lei de Proteção de dados, mas esses medos já foram superados", afirma Enrique Gutierrez. "Em muitos casos, existem sinergias para este tipo de empresas de recuperação, uma vez que um cliente não paga a luz, é provável que também deva a água e o gás, de modo que se centra o foco e a pressão sobre ele de forma mais eficiente", acrescenta Gutierrez.
Embora as carteiras mais vendidas no passado respondiam a clientes morosos históricos, cada vez os prazos são reduzidos. "Estamos vendo carteiras de não pagos em venda com apenas três meses", diz José Antonio Olavarrieta.
O preço em que estas operações são fechadas depende, justamente, da antiguidade da dívida, distinguindo entre aqueles clientes morosos com empréstimos ou faturas vencidas ou não pagas. "Não existe um preço médio, depende da garantia que tenha a dívida anterior", acrescenta Olavarrieta.
No caso do risco hipotecário, o preço de compra pode subir 65% do seu valor nominal, enquanto que no caso da dívida de consumo, o preço médio é de 15% do seu valor. "Em qualquer caso, o grau de informação que contribua o vendedor sobre o cliente é muito importante na valorização", afirmam pela GFKL.
Este mercado está crescendo a taxas de 50% ao ano na Espanha. Tanto que as empresas especializadas tiraram a competência de bancos de investimento internacionais e hedge fund, que estão pescando estas bolsas de dívida nas carteiras das companhias.
Como ganhar
As empresas que compram dívida morosa estão centrando sua estratégia em comprar grandes volumes de dívida, com base no cálculo de probabilidades de recuperar parte do capital em prazos muito mais longos de tempo. Para isso, utilizam sofisticados métodos estatísticos.
A cessão de uma dívida legal está contida no Código de Comércio. Quando uma entidade vende a dívida de um cliente tem a obrigação de comunicar através de uma carta. O novo credor entra em contato com o devedor para ver as condições em que pode recuperar o capital devido.
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