SÃO PAULO - As perspectivas da Merrill Lynch para o Brasil pioraram. Na opinião dos analistas do banco, embora não esteja exposto a uma crise sistêmica de crédito, o País também não deve sair ileso dos problemas atuais nos mercados financeiros internacionais.
Além disso, os analistas da instituição afirmam que um contexto como esse leva a uma tendência de seleção dos ativos em direção a empresas que possuem folhas de balanço mais fortes e geração de fluxo de caixa livre mais sólida.
Alterações no cenário corporativo
O foco nesses dois fatores - balanço e geração de fluxo de caixa livre - não será reflexo somente da volatilidade vista atualmente nos mercados acionários. Segundo a Merrill Lynch, isso se deve também ao risco de impactos da redução do fluxo de crédito nas companhias e setores da economia.
Por exemplo, companhias que planejaram mal as necessidades de capital de giro podem experimentar riscos de financiamento. Ademais, o banco indica que planos de crescimento agressivos também correm o risco de serem revisados, devido à falta de crédito a taxas atrativas.
"Companhias controladas pelo governo devem estar expostas a riscos maiores e a consolidação deve voltar ao foco, já que o ambiente macroeconômico demanda folhas de balanço mais fortes", concluem os analistas.
Não bastassem esses riscos, a Merrill Lynch prevê a possibilidade de que o Brasil enfrente uma retração significativa de linhas de crédito em um valor anualizado de US$ 72 bilhões, devido aos reflexos da crise internacional nos mercados de crédito, maior percepção de risco e volatilidade de câmbio, redução do apetite ao risco e enfraquecimento das estimativas de crescimento doméstico.
Porém...
Após as previsões nada otimistas, os analistas da instituição proporcionam um certo alívio ao afirmarem que o Governo brasileiro está bem preparado para reduzir os impactos da crise global do crédito na economia local.
"O Banco Central e o Ministério da Fazenda apresentam suas armas no momento em que escrevemos. As três medidas-chave incluem redução dos compulsórios, aumento da atividade de financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e medidas não-ortodoxas como intervenção direta em mercados de câmbio para reduzir a volatilidade e o uso de reservas internacionais de US$ 206 bilhões para financiar o crédito a exportadores".
De acordo com o diretor-executivo da CSU CardSystem, Wanderval Alencar, os cheques estão cada vez mais perdendo espaço para as negociações com cartões. Segundo ele, nos últimos cinco anos, conforme dados do Banco Central, o declínio dos cheques foi de 35% no total movimentado, enquanto as transações com cartões evoluíram 212%, no mesmo período, informa o site InfoMoney.
O desempenho do comércio varejista em julho indica um quadro de acomodação da atividade, com tendência de desaceleração, informou nesta terça-feira o coordenador de Comércio e Serviços do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Reinaldo Pereira. O indicador de junho pode ter sido influenciado, segundo ele, pela alta da inflação no período e pelo processo de elevação da taxa básica de juros por parte do BC (Banco Central), informa a Folha Online.
A Caixa Econômica Federal divulgou nessa quinta (30) algumas mudanças feitas nas regras das operações de microcrédito que realiza com outras instituições de microfinanças que atendem os interessados em tomar esse tipo de crédito. Segundo nota divulgada pela Caixa, foram alterados o prazo para as operações, que subiu de 12 para 24 meses, e o valor máximo a ser tomado, que passou de R$ 5 mil para R$ 10 mil, informa a Agência Estado.
A semana mal havia começado e a Bolsa de Valores de São Paulo amargava queda de 10%, na segunda-feira 29/9. Uma semana depois, na segunda 06/10, a baixa chegou a 15%, mesmo depois da interrupção dos negócios. A crise econômica se arrasta e ainda é difícil prever impactos a longo prazo. Se nas empresas em geral o cenário gera preocupações e se reflete nas demandas dos departamentos de Tecnologia da Informação, imagine como está a rotina dos profissionais de TI do Banco Central do Brasil – órgão regulador do sistema financeiro nacional?
A Federação Latino-Americana de Bancos (Felaban) vai criar um índice para comparar o grau de bancarização (acesso da população aos serviços bancários) dos países do continente. Até o fim do ano, o índice deve estar pronto inicialmente para cinco países, entre os quais, já está escolhido "o Brasil, pela sua importância", informou hoje o presidente da Felaban, Fernando Pozo, em entrevista coletiva promovida pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Os outros países, que ainda dependem de confirmação, devem ser Equador, Peru, Colômbia e Venezuela.
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