Quinta 09 Fevereiro 2012
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Alta na confiança da indústria foi maior em março, mas não garante retomada

Alta na confiança da indústria foi maior em março, mas não garante retomadaO aumento do ICI (Índice de Confiança da Indústria) no mês de março foi menos concentrada em determinados setores, como ocorreu nos últimos dois meses, informou hoje a FGV (Fundação Getulio Vargas).

Por: Ygor Salles, Folha Online | http://www1.folha.uol.com.br
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A mudança demonstra uma melhora generalizada, porém tímida, da indústria brasileira, segundo o coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicos da FGV, Aloisio Campelo Junior.

"A recuperação foi bem mais difundida. Em janeiro e fevereiro, foi puxado principalmente pelo setor automobilístico [material de transporte], tanto que sem ele o índice de confiança teria caído no mês passado", disse Campelo. Em março, quem puxou a alta foram seis setores: química, metalurgia, mecânica, vestuário e calçados, material de transporte e produtos farmacêuticos. "Com isso, a indústria está parecendo querer sair do vale [cujo ponto mais profundo foi dezembro]."

Porém, apesar do ICI ter apresentado sua terceira alta seguida, o economista diz ser cedo para garantir que a indústria brasileira está em um ritmo certo de retomada. "É importante apresentar alta, mas está em um ritmo lento. A tendência é continuar assim nos próximos meses", disse. "Mas não dá para dizer ainda que o vale foi realmente em dezembro."

Um ponto que preocupa ainda é a falta de perspectiva para a situação atual dos negócios. O indicador específico para esta questão "anda de lado" desde dezembro, e apresentou leve queda (de 71,3 pontos para 70,8 pontos) de fevereiro para março. "Isso não é bom. Apesar de subir um pouco a produção e os estoques se reduzirem, pode significar que eles acham que as condições estão demorando muito para melhorar", analisou Campelo.
As indústrias ainda apontaram uma leve melhora na demanda, embora continue fraca --a maioria ainda acha que ela está de deteriorando, especialmente a demanda externa. Enquanto o indicador de demanda interna se elevou de 71,3 pontos para 74,9 pontos, o de externa caiu de 60 para 59,8 pontos --o nível mais baixo desde janeiro de 1983.

Emprego

Dois sinais de que a mudança de rumo na confiança das indústrias ainda está longe de reverter o quadro negativo são que ela ainda acha que terá menos empregados nos próximos meses e que as empresas de bens de capital --intimamente ligada aos investimentos-- são as que tem alguns dos piores índices setoriais.

O emprego previsto nos próximos três meses apresentou leve alta em março, passando de 82,4 para 84,6 pontos. Porém, 25,2% das empresas pesquisadas dizem acreditar que terá menos empregados ao final deste intervalo, enquanto apenas 9,8% esperam contratar no período.

"Os dados dizem que o ímpeto de demitir está diminuindo. Porém, não há ainda indicação de que haverá a volta das contratações", disse Campelo.
Dos 14 gêneros pesquisados pela FGV, apenas dois (produtos alimentares e químico) apontam para maior volume de empregados daqui três meses. Os piores índices são os de minerais não-metálicos, mecânica e material de transporte --embora o último já tenha obtido uma forte alta nos últimos meses, passando de 43 pontos em dezembro para 64,1 pontos agora.

Entre os quatro setores pesquisados pela FGV, o de bens de capital foi o único que teve queda no ICI em março --recuo de 0,5%, enquanto o índice geral subiu 2,2%. "A indústria já vinha investindo [antes da crise]. Mas, com o aumento da ociosidade, os projetos [de expansão] foram paralisados", aponta Campelo. "Isso atinge diretamente este setor, que depende dos investimentos das demais indústrias."

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