I2CREDIT Nº 37
Alta na confiança da indústria foi maior em março, mas não garante retomada
O aumento do ICI (Índice de Confiança da Indústria) no mês de março foi menos concentrada em determinados setores, como ocorreu nos últimos dois meses, informou hoje a FGV (Fundação Getulio Vargas).
Por: Ygor Salles, Folha Online | http://www1.folha.uol.com.br
A mudança demonstra uma melhora generalizada, porém tímida, da indústria brasileira, segundo o coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicos da FGV, Aloisio Campelo Junior.
"A recuperação foi bem mais difundida. Em janeiro e fevereiro, foi puxado principalmente pelo setor automobilístico [material de transporte], tanto que sem ele o índice de confiança teria caído no mês passado", disse Campelo. Em março, quem puxou a alta foram seis setores: química, metalurgia, mecânica, vestuário e calçados, material de transporte e produtos farmacêuticos. "Com isso, a indústria está parecendo querer sair do vale [cujo ponto mais profundo foi dezembro]."
Porém, apesar do ICI ter apresentado sua terceira alta seguida, o economista diz ser cedo para garantir que a indústria brasileira está em um ritmo certo de retomada. "É importante apresentar alta, mas está em um ritmo lento. A tendência é continuar assim nos próximos meses", disse. "Mas não dá para dizer ainda que o vale foi realmente em dezembro."
Um ponto que preocupa ainda é a falta de perspectiva para a situação atual dos negócios. O indicador específico para esta questão "anda de lado" desde dezembro, e apresentou leve queda (de 71,3 pontos para 70,8 pontos) de fevereiro para março. "Isso não é bom. Apesar de subir um pouco a produção e os estoques se reduzirem, pode significar que eles acham que as condições estão demorando muito para melhorar", analisou Campelo.
As indústrias ainda apontaram uma leve melhora na demanda, embora continue fraca --a maioria ainda acha que ela está de deteriorando, especialmente a demanda externa. Enquanto o indicador de demanda interna se elevou de 71,3 pontos para 74,9 pontos, o de externa caiu de 60 para 59,8 pontos --o nível mais baixo desde janeiro de 1983.
Emprego
Dois sinais de que a mudança de rumo na confiança das indústrias ainda está longe de reverter o quadro negativo são que ela ainda acha que terá menos empregados nos próximos meses e que as empresas de bens de capital --intimamente ligada aos investimentos-- são as que tem alguns dos piores índices setoriais.
O emprego previsto nos próximos três meses apresentou leve alta em março, passando de 82,4 para 84,6 pontos. Porém, 25,2% das empresas pesquisadas dizem acreditar que terá menos empregados ao final deste intervalo, enquanto apenas 9,8% esperam contratar no período.
"Os dados dizem que o ímpeto de demitir está diminuindo. Porém, não há ainda indicação de que haverá a volta das contratações", disse Campelo.
Dos 14 gêneros pesquisados pela FGV, apenas dois (produtos alimentares e químico) apontam para maior volume de empregados daqui três meses. Os piores índices são os de minerais não-metálicos, mecânica e material de transporte --embora o último já tenha obtido uma forte alta nos últimos meses, passando de 43 pontos em dezembro para 64,1 pontos agora.
Entre os quatro setores pesquisados pela FGV, o de bens de capital foi o único que teve queda no ICI em março --recuo de 0,5%, enquanto o índice geral subiu 2,2%. "A indústria já vinha investindo [antes da crise]. Mas, com o aumento da ociosidade, os projetos [de expansão] foram paralisados", aponta Campelo. "Isso atinge diretamente este setor, que depende dos investimentos das demais indústrias."
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