I2CREDIT Nº 38
Classe média diminuiu com crise financeira
A crise econômica internacional chegou com mais força ao bolso do brasileiro a partir de janeiro, quando foi interrompido o movimento de sete anos de redução da desigualdade no país e caiu também a fatia da classe média em relação à população brasileira...
Por: Fonte: Valor Online
A pesquisa 'Crônica da crise: ressaca e resiliência recentes', elaborada pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra que em janeiro houve uma diminuição de 2,7% na participação da classe AB no total da população brasileira, enquanto a fatia da classe C registrou uma redução de 2,2% no total.
A contrapartida foi o crescimento da classe D, que aumentou sua participação em 3% no total da população, e o avanço da classe E, que elevou em 6,7% sua fatia no todo.
Já em fevereiro, o estudo mostrou que este movimento arrefeceu, embora tenha continuado o processo de redução da classe AB, que diminuiu sua presença no total em 0,5%. Já a classe C aumentou sua fatia no bolo em 0,1%.
No acumulado desde o início da crise internacional, em setembro, a classe AB diminuiu sua participação no total da população em 3,8%, enquanto a classe C teve queda de 0,9%. Já na classes D e E, houve aumento de participação de 1,1% e de 5,1%, respectivamente.
"Essa crise é atípica e afeta mais os mais ricos, já que começou nas bolsas e nos mercados financeiros. Mas ela se generalizou e, a partir de janeiro, chegou ao bolso do brasileiro comum", afirmou o coordenador da pesquisa, Marcelo Neri.
O economista acrescentou que no primeiro momento da crise, entre setembro e dezembro, a chance de alguém deixar as classes A, B e C era 2% maior do que no cenário anterior à crise. A partir de janeiro, essa possibilidade passou a ser 12% maior quando comparada à chance que existia antes de setembro.
O impacto foi maior no setor financeiro, onde a chance um trabalhador deixar as classes A, B e C entre setembro e dezembro era 9% maior do que no período anterior à crise. A partir de janeiro a chance de algum empregado do setor financeiro deixar a classe média era 13,5% maior do que antes de setembro.
Na indústria, a possibilidade de algum funcionário deixar a classe média aumentou 2,7% entre setembro e dezembro e cresceu 4,1% a partir de janeiro, sempre na comparação com a chance de queda de classe que existia antes de setembro.
O estudo da FGV considera classe média os grupos A, B e C, sendo que a classe C tem renda domiciliar total R$ 1.115 a R$ 4.807 e as classes AB têm renda acima de 4.807. No caso da classe D, o rendimento total vai de R$ 804 a R$ 1.115. Já os participantes da classe E ganham até R$ 804.
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