O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse no programa semanal de rádio "Café com o Presidente", transmitido nesta segunda-feira, que a economia brasileira começará 2010 com uma "situação muito virtuosa e "de muito otimismo"(...)
"É tudo que nós precisamos. Voltar à normalidade econômica, voltar a crescer, gerar empregos, distribuir renda, que é isso que o povo brasileiro espera de nós", disse o presidente, e acrescentou que os dados sobre o PIB referentes ao terceiro e ao quarto trimestres "serão muito importantes", pois "vão demonstrar um crescimento muito melhor na economia brasileira até o final do ano", e 2010 vai começar, assim, "numa situação de crescimento".
Na sexta-feira (11), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que a economia brasileira voltou crescer no segundo trimestre deste ano, com alta de 1,9% frente aos três meses imediatamente anteriores. Com isso, o Brasil saiu do quadro de recessão técnica, quando há duas retrações consecutivas --no primeiro trimestre, a queda foi de 1% após revisão (a leitura inicial era de queda de 0,8%), e no quarto trimestre de 2008, o recuo havia sido de 3,4% após revisão (o dado anterior era de queda de 3,6%).
O presidente disse que a saída da recessão "apenas confirmar aquilo que a gente dizia, em dezembro do ano passado, aquilo que a gente dizia em janeiro: que a crise tinha chegado por último no Brasil e que ela ia acabar primeiro no Brasil".
"Porque o Brasil estava preparado. O Brasil tinha uma economia sólida, tinha uma estabilidade muito sólida, o Brasil tinha reservas e o Brasil tinha um mercado interno potencial que outros países não tinham", afirmou. Ele lembrou as medidas adotadas pelo governo, como a redução de alíquotas de impostos feita pelo governo, caso do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) que incide sobre eletrodomésticos da linha branca (geladeiras e fogões) e automóveis.
"O que aconteceu é que nós voltamos a bater recorde de produção e de venda nesses produtos, inclusive, na construção civil, que tem crescido de forma extraordinária, não apenas por aquilo que já vinha sendo feito, mas depois do lançamento do Programa Minha Casa, Minha Vida, cresceu muito mais ainda. O dado concreto é que os números do segundo trimestre são importantes", afirmou.
Em relação a igual período em 2008, no entanto, o PIB (Produto Interno Bruto) teve recuo de 1,2%. No acumulado do semestre, a economia caiu 1,5% frente aos seis primeiros meses de 2008, a maior retração para um semestre em toda a série histórica, iniciada em 1996.
PIB
O PIB, que mostra o comportamento de uma economia, é a soma das riquezas produzidas por um país. O indicador é composto por indústria, agropecuária e serviços. O PIB também pode ser analisado a partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se apropriou do que foi produzido. Neste caso, é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações.
Ontem, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que o Brasil sai da crise preparado para crescer mais rapidamente e com equilíbrio. "Ao contrario do passado, quando muitas vezes o Brasil saía de uma crise quebrado, hoje não, o Brasil sai da crise de uma maneira muito saudável e preparado para crescer", afirmou, durante congresso promovido pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).
Na sexta, Meirelles já havia dito ser "altamente possível e provável" que o Brasil feche o ano com crescimento em 2009. A última previsão do Banco Central foi de 0,8% e uma nova projeção será feita em setembro.
Já o ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou que o resultado comprova que a economia brasileira estava resistente quando a crise econômica se agravou e que o país deve fechar o ano com alta de 1%.
arte/Folha Online
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