BRASÍLIA - A taxa média de juros bancários a pessoas físicas registrou em junho o menor nível da série apurada pelo Banco Central (BC) em 16 anos. Ficou em 40,4% ao ano ante 41,5% em maio. Na preliminar de julho até o dia 15, essa média se mantém (...)
O recuou não ocorreu por ação dos bancos na redução das taxas, e sim por uma migração das famílias em busca de linhas de custo menor, diante da trajetória de alta do juro básico Selic, iniciada em abril.
É o que explica o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Segundo ele, basta verificar os movimentos nas taxas de modalidades, como o crédito pessoal.
As linhas de crédito pessoal tiveram retração de 1 ponto percentual na média do juro cobrado em junho sobre maio, para 42% anuais. Outro exemplo é o recuo de 1,2 ponto para aquisição de veículos, cuja taxa ficou em 23,6%.
Por outro lado, ainda nas operações dirigidas às famílias os bancos elevaram em 4,8 pontos, a taxa anual do cheque especial, para 165,1%. Lopes explica que o cheque especial tem uma carteira de risco mais elevado, e portanto segue ou até antecipa movimentos da curva de juros que influenciam os movimentos da Selic. O salto do custo em junho também refletiu liquidações do cheque especial. O tomador pega um crédito mais barato, como o consignado para desconto em folha de pagamento (27,1% ao ano em junho) para pagar essa modalidade de custos escorchantes.
Prova disso, segundo Lopes, foi o recuo de 0,2% no saldo de recursos do cheque especial em junho, para R$ 17,939 bilhões, deixando exposta uma taxa mais elevada sobre a base.
Lopes destaca ainda a queda na inadimplência geral do sistema financeiro nacional, para atrasos superiores a 90 dias em linhas com recursos livres e direcionados. A taxa de junho ficou em 3,7%, ante 3,8% em maio.
Ele ponderou que, desde o arrefecimento da crise financeira em meados de 2009, "a inadimplência do sistema como um todo começou a cair, é baixa, e se mantém em trajetória cadente".
Há melhora também nos prazos das operações, ampliados para acomodar as taxas maiores de juros e também refletindo o financiamento imobiliário, que tem duração elevada. O prazo médio registrado em junho foi a 450 dias, o mais elevado da série do BC para essa rubrica, iniciada em 2000.
Fonte: Valor Econômico
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