SÃO PAULO - Com três ofensivas simultâneas, o Banco do Brasil espera pelo menos triplicar a fatia de sua área internacional, ao anunciar uma parceria para entrar na África e que deve fechar compras na América Latina e nos Estados Unidos até o final de 2010 (...)
"Esperamos elevar a participação da área internacional nos resultados nos próximos anos, entrando em países com baixa bancarização e fortalecendo nossa presença em regiões onde empresas brasileiras estão no exterior", disse a jornalistas nesta segunda-feira, 9, o presidente-executivo do BB, Aldemir Bendine.
Mais cedo, o BB assinou um memorando de entendimentos com o Bradesco e com o português Banco Espírito Santo (BES), por meio do qual os bancos brasileiros vão entrar no capital da holding da instituição portuguesa que concentra investimentos em instituições financeiras do continente africano.
"O continente africano é o futuro", afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao anunciar a parceria, que deve ter as diretrizes sobre participação de cada sócio definidas no prazo de 60 a 90 dias.
A ideia é expandir a holding detida pelo BES, que hoje detém participações em bancos em Cabo Verde, Angola e Marrocos, além de negociações em andamento para compra de fatias em instituições na Argélia e Moçambique.
"O potencial de desenvolvimento é extraordinário", disse o presidente do BES, Ricardo Salgado, frisando o interesse dos bancos de explorar oportunidades em países com baixíssima bancarização, especialmente os de língua de portuguesa.
O acordo representa também a mudança de ambições do Bradesco, que vinha frisando seus planos de concentrar expansão no Brasil. Uma das justificativas para essa virada, segundo o presidente-executivo do banco, Luiz Carlos Trabuco, é a forte entrada de investidores asiáticos na África, especialmente os da China.
"A África vai ser uma fronteira de desenvolvimento e temos que ocupar espaços", afirmou Trabuco. "É uma oportunidade talvez única na história."
No caso do BB, a parceria, que vem sendo costurada desde o início do ano, significa a abertura de um terceiro flanco para expansão internacional, já que o banco tem repetido o interesse de entrar nos EUA, depois de já ter fincado os pés na Argentina, com a compra do Banco Patagonia, por cerca de 480 milhões de dólares, em abril.
O vice-presidente de Negócios Internacionais e Atacado do BB, Allan Toledo, disse à Reuters que o banco deve anunciar pelo menos uma aquisição na América Latina e outra nos EUA até dezembro. "Até o final do ano, devemos ter isso concluído."
O BB, que hoje já tem atividades em 23 países, planeja elevar a participação do segmento internacional para cerca de 15 por cento do resultado do grupo, ante menos de cinco por cento atualmente, disse Toledo.
Semanas atrás, o BB --maior banco da América Latina-- concluiu oferta de ações de quase 10 bilhões de reais, dos quais pouco mais de 7 bilhões de reais referentes à emissão de papéis novos. No prospecto da operação, o banco informava que os recursos seriam usados para fortalecer sua base de capital e para suportar o crescimento por eventuais aquisições.
Este ano, o banco obteve aprovação do Financial Holding Company (Finra) para que uma subsidiária exerça atividades de "underwriting" nos mercados de ações e de títulos de dívida nos EUA.
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