Com crise econômica, micro e pequeno empresário revela baixo interesse por tomar crédito, mostra indicador do SPC Brasil


Apenas 8,4% dos MPEs pretendem contratar crédito nos próximos 90 dias. Intenção de investimentos apresenta piora na comparação mensal

 

A baixa disposição dos micro e pequenos empresários (MPEs) em contratar crédito para seus empreendimentos segue refletindo as incertezas com a recuperação econômica do Brasil no próximo ano e a forte deterioração do ambiente de negócios. Dados do indicador mensal calculado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostram que a intenção desses empresários de procurar crédito pelos próximos três meses registrou apenas 13,47 pontos no mês de novembro. Embora o índice seja levemente superior ao observado em outubro (13,15 pontos), o resultado é considerado baixo, visto que a escala do indicador varia de zero a 100. Quanto mais próximo de 100, maior é a probabilidade de os empresários procurarem crédito e, quanto mais próximo de zero, menos propensos eles estão para tomar recursos emprestados para os seus negócios.

Em termos percentuais, apenas 8,4% dos micro e pequenos empresários consultados pretendem tomar crédito nos próximos 90 dias. Considerando um intervalo de 30 dias, a proporção é ainda menor e chega a 6,5% dos MPEs ouvidos no levantamento.

Na avaliação do presidente da CNDL, Honório Pinheiro, o cenário não inspira a confiança necessária para que os empresários assumam compromissos de longo prazo, principalmente em um momento em que os brasileiros estão diminuindo o consumo de bens e serviços. “O quadro de crise econômica contribui para o baixo apetite pelo crédito, ao aumentar as incertezas em relação ao futuro da economia e dos negócios e elevar o custo do capital medido pelas taxas de juros”, diz Honório.

Para MPEs, tomar crédito está difícil

Dentre os empresários que não têm a intenção de contratar crédito nos próximos três meses (84,7%), conseguir manter o negócio com recursos próprios (43,6%) e a insegurança em se endividar devido as condições econômicas do país (32,1%) são os motivos mais mencionados. Há também os que apontam indisposição para pagar as altas taxas de juros praticadas pelo mercado (17,8%).

Segundo a pesquisa, 35,5% dos empresários consultados consideram que nos dias de hoje está “difícil” ou “muito difícil” conseguir crédito no Brasil. Dentre o universo de empresários que enxergam um horizonte com dificuldades, 43,7% reclamam da burocracia como a razão principal do impedimento e outros 33,1% apontam as altas taxas de juros praticadas no mercado.

As modalidades de crédito mais difíceis de serem contratadas, de acordo com o levantamento, são os empréstimos em instituições financeiras (29,9%) e os financiamentos (21,9%). Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o cenário de desconfiança com os rumos da economia, que torna os as instituições bancárias mais cautelosas na hora da concessão de crédito, bem como o ciclo recente de alta de juros, devem aumentar essa percepção de dificuldade.

As modalidades de crédito mais conhecidas por esses empresários são justamente as mais caras do mercado, cujas taxas de juros anuais podem chegar a quase 290%: o Cartão de Crédito Empresarial (70,8%) e o Cheque Especial Empresarial (70,3%). Só em seguida aparece o microcrédito, citado por 66,3% dos entrevistados.

Cai a intenção de investimentos nos próximos três meses

O indicador de investimentos calculado pelo SPC Brasil e pela CNDL também registrou um baixo patamar, o que demonstra que o cenário econômico adverso está afetando os planos de expansão dos micro e pequenos empresários e também dos prestadores de serviços. Na comparação entre outubro e novembro, houve uma piora de 29,89 pontos para 27,18 pontos, sendo que quanto mais próximo de 100, maior é a propensão ao investimento. Ao todo, apenas 23,25% dos micro e pequenos empresários consultados pretendem realizar algum tipo de investimento nos próximos três meses.

De acordo com o indicador, os investimentos mais citados por esses empresários são a ampliação do estoque (34,9%), reforma da empresa (33,3%), compra de equipamentos (24,7%) e investimento em propaganda e comunicação (24,2%). A grande maioria desses empresários (68,8%) irá usar capital próprio para realizar os investimentos e 25,3% irão recorrer a empréstimos em bancos ou financeiras.

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