Cuidar bem do dinheiro nem sempre é fácil


Educação financeira ajuda os jovens a programar o futuro

Moro a uma quadra do supermercado, e às vezes quando faço um jovem funcionário se oferece para vir comigo empurrando o carrinho. “É bom porque mudo um pouco de ambiente”, ele diz. E ainda ganha um dinheirinho de gorjeta, claro. Falando em dinheirinho, dias atrás ele me contou todo contente que guarda mais da metade de seu salário, todos os meses, para dar de entrada na casa própria. Quer casar com a namorada de infância, mas não pretende morar nem com os pais nem com os sogros. Surpreendi-me com a maturidade do garoto, que recém completou 21 anos e está trabalhando a menos de dois com carteira assinada. “Não gasto em festas nem em bebidas. Só compro umas roupinhas de vez em quando e levo a gata no cinema”, contou.

A Serasa Experian divulgou recentemente um estudo que traça o perfil de brasileiros que solicitam crédito, mostrando que jovens entre 21 e 35 anos, oriundos da periferia, são os que mais pediram empréstimos em bancos em 2015. Muitos deles estão endividados e inadimplentes. Meu “ajudante” não faz parte desta estatística, mas muitos outros jovens que acabaram de entrar no mercado de trabalho estão cheios de dívidas. “Isto denuncia um consumismo exagerado e também a falta de educação financeira destes jovens”, explica o educador e terapeuta financeiro Reinaldo Domingos.

Ele defende que este tema deveria ser tratado em casa e, principalmente na escola. “Os jovens vivem o conflito entre planejar o futuro e viver o presente. A confusão é grande e as tentações são ainda maiores. É um período de mudanças e descobertas; de consumo exagerado; do dilema da escolha de uma profissão e do ingresso no primeiro emprego. Em praticamente todas essas situações o jovem se depara com a inexperiência de administrar seu dinheiro. Então, eles precisam receber orientação para que possam viver esta fase da vida sem sobressaltos nem dívidas que não possam pagar”, conclui.

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