Executivos da América Latina se reúnem no Brasil para discutir o futuro da cobrança


As oportunidades existem e são muitas. Segundo Chris Principe, consultor, autor de livros e um dos grandes nomes mundiais em transações bancárias, 80% do comércio global são pagos a prazo e, portanto, estão abertos para cobrança internacional. Mas como aproveitá-las? No último dia 9, o especialista esteve na sede do Instituto GEOC, em São Paulo, para o bate-papo “Perspectivas econômicas na América Latina e suas consequências para a indústria de faturamento”, com a presença de 22 executivos da Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, México, Paraguai e Peru, todos representantes do LatinCob.

Depois de dar um panorama do mercado, Chris Principe listou alguns pontos cruciais para o sucesso da cobrança internacional. Na opinião do consultor, as recuperadoras de crédito precisam dar mais educação para o mercado para mostrar a importância do segmento; precisam ouvir o mercado e descobrir como antecipar soluções; devem saber o que o seu concorrente está fazendo, como ele trabalha; e, na relação com o consumidor, tentar antecipar os problemas ‘tem algo que eu possa fazer por vc?’.

Mais do que nunca, na cobrança internacional, “grandes dependem de pequenas empresas para executar um bom trabalho”, afirmou o consultor. Segundo ele, é muito comum, em um primeiro contato, que a contatada te olhe equivocadamente como concorrente. “A primeira reação que muitas pessoas têm é ‘você é um concorrente e vai tirar um pouco do meu negócio’. Se pudermos compartilhar a expertise que cada um tem, nós poderemos fazer mais negócios, termos lucros adicionais e mais clientes. Mas você tem que vencer essa primeira impressão. Se ambas as pessoas entendem o valor que cada uma traz, você pode fazer uma parceria de sucesso”, opinou.
Para as empresas latino americanas que querem ingressar nesta seara, Chris Principe destacou o continente asiático como o mais promissor. “As oportunidades estão lá. Produtos saem daqui para a Ásia e da Ásia para cá. Isso vai continuar aumentando, o que ajuda as economias a crescerem. Vai ser um desafio a todos do LatinCob. Os mercados domésticos vocês conhecem muito bem e esses negócios vão continuar firmes. Mas, para mim, as grandes oportunidades para a América Latina é essa mudança do negócio se tornar globalizado e claro, é um grande desafio”, finalizou.

Congresso de Crédito e Cobrança

Um dos temas debatidos durante o 13º Congresso Latino Americano de Crédito e Cobrança, que aconteceu entre os dias 10 e 11 de novembro, em São Paulo, foi a “A cobrança no mundo: melhores práticas globais em recuperação de crédito”, com a participação dos convidados: Luciano Nicora, presidente da VN Global BPO (Argentina); Humberto Ugarte Riva, gerente geral do Grupo Ucatel Telegestión Empresarial (Peru); Gustavo Vercinsky, COO da GDS Modelica (Argentina); Eliseo J. Bello Villegas, presidente da APCOB (México); e Maurício Díaz, gerente geral do Grupo Teleintel (Colômbia).

Moderador do painel, Jefferson Frauches Viana ressaltou logo na abertura que existem hoje no Brasil 9 milhões de empresas abertas, 718 mil indústrias, 18 mil exportadores, 46 mil importadoras, 90 mil multinacionais (nascidas aqui) e que 400 das 500 maiores multinacionais do planeta estão no país. Ou seja, um mercado enorme a ser explorado no segmento de cobrança internacional. “As fronteiras nos levam a limitações, como idioma, leis e costumes, mas temos um oceano imenso pra navegar e a cobrança não pode ficar de fora”, frisou.

Na opinião do presidente do IGEOC, apesar das limitações – apenas 5% dos brasileiros são capazes de se comunicar em inglês; a grande maioria não conhece as formas e meios de pagamentos internacionais e acabam utilizando caminhos mais caros, entre outras – as empresas de cobrança brasileiras e as vizinhas latino americanas devem buscar caminhos mais curtos e consequentemente mais baratos para ocupar a lacuna. “É fundamental conhecer o mercado local; possuir um agente de cobrança local e que ofereça suporte jurídico no caso de cobrança judicial; e saber dos custos que envolvem todo o processo de cobrança”, pontuou Viana.

Para ele, existem muitas possibilidades se considerado o hemisfério norte, só os Estados Unidos foram responsáveis por 13% do volume de negócios acumulados entre 2010 e 2015, a Alemanha por outros 16%. “Atualmente a inadimplência internacional está dividida em Bens duráveis (11%), Despesas médicas (32%), Inconformidade local (33%), Lazer (20%) e Serviços (4%). Tem muita conta pra cobrar no mundo”.

O diretor geral da Associação de Profissionais de Cobrança e Serviços Jurídicos do México, Eliseo J. Bello Villegas, reforçou que o conhecimento é primordial, antes de iniciar um trabalho internacional. “O processo é largo e tortuoso. Dependendo do tipo de crédito e do país é preciso fazer uma análise criteriosa do produto, do processo e conhecer normas locais. No México, vivemos um momento de regulação muito restrita, não temos autorização para usar mais elementos do que aqueles que os próprios devedores oferecem, o que dificulta o processo”.

Ao final do debate, Jefferson Frauches Viana trouxe outro dado para reflexão. “Segundo o ITC – agência conjunta da Organização Mundial do Comércio e da Organização das Nações Unidas para fomentar negócios –, 95% de todas as empresas do mundo são responsáveis por 70% dos empregos no planeta e 64% delas expressam interesse em exportação. Quais oportunidades elas podem trazer pro nosso negócio? Precisamos olhar pra isso com atenção. Acreditar, aproveitar e olhar todos os ângulos de oportunidades”, concluiu o painel.

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