Entrevista: Jefferson Frauches Viana


GRANDES DESAFIOS PARA OS PRÓXIMOS ANOS

O Instituto GEOC, que reúne grandes empresas de cobrança do Brasil, possui, desde o começo de janeiro de 2015, uma nova diretoria para a gestão do próximo biênio. Jefferson Frauches Viana, que era o diretor Administrativo e Financeiro, assumiu a presidência do instituto, substituindo Egberto Hernandes Blanco, agora o 1º vice-presidente. Completam a diretoria: João Antonio Belizário Leme, 2° vice-presidente; Jair Lantaller, diretor Administrativo e Financeiro, e Adilson Sil Melhado, diretor de Relações com o Mercado. Todos os integrantes são ex-presidente do IGEOC.

Em entrevista exclusiva à Credit Performance, Jefferson Frauches Viana, fala um pouco sobre expectativas, cenários e desafios do Instituto GEOC e do mercado financeiro nos próximos dois anos.

Credit Performance: Como você analisa o ano de 2014 para o setor de recuperação de crédito?

Jefferson Viana: 2014 foi um ano bastante difícil, realmente delicado para o setor de recuperação de crédito. No que diz respeito à contratação, por exemplo, notamos uma queda, mas temos que levar em conta o cenário de Copa do Mundo, Eleições e todas essas dificuldades que já sabemos.

Em razão desse pequenoencolhimento em 2014, a expectativa é que 2015 seja um pouco melhor, afinal, não teremos todas as incertezas que tínhamos em 2014. Evidentemente, se conversarmos com os outros setores, vamos notar que ainda estão todos com um pé atrás, ainda preocupados com o que pode surgir, mas eu acredito que teremos um ano um pouco mais promissor.

CP: Que tipos de entraves é preciso superar para se conseguir um equilíbrio entre a concessão e a recuperação de modo a atingir um ciclo de crédito sustentável?

JV: Eu penso que precisa melhorar o contexto econômico porque ainda existe uma insegurança muito grande em todos os setores. Isso significa que precisamos de medidas governamentais que coloquem as coisas em um patamar mais seguro, para que as empresas tenham mais confiança para fazerem os investimentos necessários. Outra questão que precisa ser focada, e que o IGEOC vem trabalhando incessantemente, é a busca de um processo de educação financeira consistente. Evidentemente não vai deixar de existir a inadimplência, mas vai diminuir de alguma forma e vai fazer com que esse índice seja mais recuperável.

CP: Por falar em educação financeira, na sua percepção, como as empresas de recuperação devem se engajar nesse processo e por quê?

JV: Eu acho que as empresas devem se engajar em todos os níveis, desde a negociação com o próprio consumidor inadimplente até os processos de treinamento que o Instituto já faz em todos os níveis e continuará fazendo. É um projeto muito grande do IGEOC para 2015 e 2016, que já está num processo de maturação. Esse projeto é ligado a um trabalho de capacitação e certificação dos profissionais da indústria de Crédito e Cobrança. O objetivo é fazer com que as pessoas estejam mais preparadas e especializadas e, consequentemente, tenham a capacidade de levar a educação financeira até o inadimplente. Na nossa visão, a educação financeira não é apenas um texto publicado, um blog ou uma campanha da instituição. Educação financeira também é fazer uso dessas ferramentas, mas, muitas vezes o inadimplente precisa se sentir acolhido por quem está na outra ponta, fazendo a recuperação. Queremos que ele escute e entenda por que ele entrou naquela “ciranda”.

CP: Você já está no IGEOC há muito tempo. Qual a sua trajetória pela entidade e o que ela representa para o segmento da recuperação?

JV: Nós (Way Back) nos tornamos associados do IGEOC em 2007, e, desde então, eu venho contribuindo nosprojetos e atuando nas comissões de trabalho do setor. No período de 2013 e 2014, eu atuei como diretor Administrativo e Financeiro, com o Dr. Egberto Blanco, o que me trouxe muito aprendizado e foi uma oportunidade de trabalhar um pouco mais a fundo no Instituto e poder conhecê-lo. Esse período foi um suporte importantíssimo para que eu pudesse assumir a presidência agora em 2015.

CP: Quais serão os enfoques da diretoria do IGEOC para essa gestão?

JV: Temos muitos desafios nestes próximos anos: dar continuidade aos projetos que já estavam sendo executados, como o Dr. Débito, por exemplo, e mexer na gestão do Instituto. Faremos uma mudança muito importante no estatuto, o que nos permitirá melhorar o regime de gestão. Ou seja, hoje estamos em uma gestão no modelo executivo, os presidentes e diretores, além de trabalharem em suas empresas, precisam também se dedicar ao Instituto. O projeto pretende transformar essa direção executiva em um conselho administrativo. Assim, a diretoria passará a fazer parte de um conselho de administração e, para tanto, será recrutado um profissional de mercado para atuar como executivo do Instituto, para conduzir os projetos do IGEOC. Essa é a nossa principal mudança e será concluída até o fim de março deste ano.

CP: É objetivo do IGEOC aumentar numericamente a quantidade de associados ou a ideia é focar na qualidade da prestação e certificação dos serviços prestados?  

JV: Sim, aumentar o número de associados é um objetivo importante. Esse aumento é essencial porque assim conseguiremos mais pessoas trabalhando e contribuindo com os projetos. Quando falamos de uma instituição, seja um instituto ou qualquer outra, notamos que ela é movida através de doação de trabalho, de Inteligência, de “mão na massa” … E essa doação vem dos associados. Quando temos um volume maior de empresas dispostas a encarar esse desafio, tudo isso fica mais representativo, mais inteligente, e, consequentemente, mais leve.

 

Deixe uma resposta

.footer-main { background:none; }