Roberto Luis Troster: “Precisamos repensar o sistema e o próprio país”


Participante do debate de abertura do 11º Congresso Nacional de Crédito e Cobrança, o economista Roberto Luis Troster, bacharel e doutor em economia pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo e pós-graduado em banking pela Stonier School of Banking, em entrevista exclusiva para o Blog Televendas e Cobrança, amplia o seu posicionamento e ideias apresentadas no evento a respeito do “Desafio C e a Crise Econômica”.

1 – Troster, com muita maestria em sua participação no debate, mencionou que o mercado de Crédito & Cobrança “precisa se reinventar”, com base na sua ampla experiência atuando em diferentes mercados e governos como consultor e economista, que caminhos indica para essa reconstrução?

Resposta: a primeira coisa é que o sistema assuma que tem que se reinventar, caso contrário, continuará nesse perde-perde. A seguir duas medidas emergenciais – a) reduzir a cunha bancária eliminando o IOF e os compulsórios e b) uma ampla renegociação de dívidas, sem subsídios. A seguir uma reforma mais profunda, que envolve uma reformulação de instrumentos, processos, regras, direitos e obrigações; algo parecido ao que os EUA fizeram após a crise deles.

2 – Como colocou bem em sua fala, ter otimismo é um posicionamento, uma ideologia, mas se tratando de gestão empresarial, a busca por uma revisão de modelo requer transposição da micro para macroeconomia, a fim de “repensarmos o sistema e o próprio país”, que estratégias as empresas do setor de Televendas & Cobrança podem desenvolver nesse contexto?

Reposta: o primeiro passo já foi dado e é a vontade de mudar, sem isso, nada avança. O setor pode colaborar muito elaborando propostas, debatendo o temo e sugerindo mudanças às autoridades e associações de classe.

3 – Durante o debate, você defendeu com ênfase que a sustentação de um modelo de “colaboração verdadeira”, pode gerar otimização e benefícios para o mercado como um todo, destacando falhas na implementação do Cadastro Positivo. Como a atuação das empresas do setor impactaram essa implementação e que ações devem ser tomadas para a viabilização desse ganho coletivo?

Resposta: O exemplo é emblemático. As duas grandes sacadas do cadastro positivo na teoria é que I. gera externalidades – baixa custo de informações e melhora seu conteúdo; todavia, para tanto tem que haver mais padronização, eficiência e compartilhamento, e há pouco na forma que está implementado no Brasil. II. O outro benefício é a iteração com o cliente, que é praticamente nula. O setor pode corrigir ou propor correções e mostrar como todos ganham com elas, inclusive Televendas e Cobranças.

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